Livro reúne 13 contos ficcionais inspirados na loucura

Maria Clara usa de toda a sua razão para fugir da clínica psiquiátrica na qual foi lacrada à revelia. Já Eugênia jaz delirante na cama após o acidente de Abel. Antonia não se martiriza por sufocar o pai idoso com um travesseiro. Antônio Carlos trava uma batalha com ratos furiosos que tentam devorar seus miolos, enquanto Alaíde persegue borboletas até tornar-se, enfim, uma delas.

AE, Agencia Estado

02 Fevereiro 2010 | 09h37

São encontros com a loucura, em toda a sua diversidade, suas fúrias e disfarces, que a autora Claudia Belfort revela em "Aqueronte - O Rio dos Infortúnios", que será lançado hoje, a partir das 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Pompeia, em São Paulo. A obra reúne 13 contos independentes com angústias de pessoas com vários tipos de distúrbios mentais, dos doentes de amor aos de hospício, dos depressivos aos raivosos, loucos sociais ou suicidas, que desdenham do limite do corpo na contramão da Imigrantes.

O título faz menção à mitologia grega, que apresenta o leito do Rio Aqueronte como palco da travessia das almas rumo ao inferno, ao submundo dos mortos. "Para não pirar, pirei na literatura", resume com bom humor a editora-chefe do Jornal da Tarde, que, quando o pai adoeceu, dispôs-se a despejar a dor no papel e tornou-se autora das histórias, ilustradas uma a uma por Marcos Muller.

Também a loucura, nas linhas de Claudia, tem seu humor, sua delicadeza de percepção. "O sofrimento psíquico também pode ser suave", diz a jornalista, que ainda escreve sobre distúrbios mentais no blog Sinapses (blogs.estadao.com.br/sinapses).

Para surpresa e alívio do leitor, até o caminho da insanidade pode terminar em borboletas amarelas, como comprova a solitária e perturbada Alaíde. Perdida no mundo, numa busca exaustiva pela felicidade, ela se rende a não ser ninguém, a perder-se em sua mente confusa, a tornar-se borboleta. "Deixo para o leitor muitas das conclusões dos contos. Será que essa mulher, Alaíde, é real? É uma criação da imaginação de alguém? O que realmente aconteceu com ela? Fica a cargo do leitor decidir no que prefere acreditar", diz a autora. As informações são do Jornal da Tarde.

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