Livro retrata história de Minas Gerais

Minas está onde sempre esteve. E, enquanto de lá não sai, reflete e pensa eexpressa e ajuda a fazer o País. Em Catas de Aluvião - Do Pensar e do Ser emMinas (Graphia, 304 págs., R$ 28,00), o poeta Affonso Ávila, de 72 anos, reúne44 artigos e ensaios, todos relacionados de alguma forma à produção culturalmineira, a maior parte deles publicados no Suplemento Literário do Estado.Nesse caminhar por Minas Gerais, Ávila passa por Aleijadinho, Tomás AntônioGonzaga, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade. Vai costurando eavaliando, assim, essa identidade cultural. "Minas é pouco apegada às modas eaos modismos, seu pensamento tem alcance perene", acredita Ávila. E dá umexemplo: "Só se pode compreender Brasília depois de conhecer o barrocomineiro."Também na opinião de Ávila, o movimento modernista ganha uma expressãonacional apenas em 1924, quando os líderes Mário de Andrade, Oswald deAndrade e Tarsila do Amaral fazem uma viagem ao Estado. "O modernismoamadurece, depois desse contato dos paulistas com a arte mineira." Essaviagem - junto com outras experiências posteriores - seria fundamental para queMário escrevesse a rapsódia Macunaíma - O Herói sem nenhum Caráter.Ávila dirige a revista Barroco, fundada em 1969, atualmenteno seu 18º número, especializada na produção artística dos séculos 17 e 18. Umdos artigos que o autor destaca, no livro, foi publicado originalmente na revista(que não tem periodicidade fixa) em seu número 17. Trata-se de Gregório e aCircularidade Cultural no Barroco.Para Ávila, a arte não estaciona. Na verdade, transcende o localismo em que écriada. Nada mais natural, portanto, que relacionar os versos do poeta baianoGregório de Mattos às esculturas do mestre mineiro Antônio Francisco Lisboa."É justo na Bahia seiscentista que se formula o discurso quente e americano deGregório de Mattos, é justo nas Minas setecentistas que se formata aplasticidade mestiça e emancipadora do Aleijadinho, ambos certeiros na mesmatrilha libertária de percepção e sensibilidade", escreve em seu ensaio.O livro traz ainda fac-símiles de duas cartas de Drummond endereçadas a Ávila.Na primeira, o autor de Claro Enigma pede, em 1958, apoio para um movimentoque se opunha à tentativa da Academia Brasileira de Letras de transferir osrestos mortais do escritor Machado de Assis para o Panteão Acadêmico. Nasegunda, agradece o empenho de Ávila, pelo número de adesões obtidas.História - Nem só de poesia e arte vive Catas de Aluvião. O agrupamento deartigos reunidos sob o título Tatibitate - Escrita da Puberdade Crítica começacom os que tratam de história. O primeiro deles, publicado originalmente em1956, por exemplo, analisa o livro Vida de Fernão Dias Pais, de Affonso de E.Taunay, que se debruçara sobre a vida do bandeirante paulista que ajudou adesbravar Minas Gerais.Em seguida, Affonso Ávila escreve, em texto de 1957, sobre o ensaio Vila Rica- Formação e Desenvolvimento - Residências, de Sylvio de Vasconcelos. Para oresenhista, o trabalho, "sem ser extenso ou complexo, aborda com profundidadefaces ainda não examinadas da civilização que o ciclo do ouro nosproporcionou". Diz ainda que, pela primeira vez, "Ouro Preto se desvencilha desua auréola de mito, tecida por dois séculos de crônica sentimental e coloquial,para ser criticada e reconstituída friamente pelo arquiteto moderno".Em seus textos sobre a história de Minas Gerais, Affonso Ávila trata ainda dapresença indígena, da importância do ouro e do diamante na história do Estado,a análise de Nelson Werneck Sodré sobre a Inconfidência Mineira. Tambémtransita por personalidades, como Teófilo Ottoni e Bernardo Pereira deVasconcelos.

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