Livro relata trajetória de famílias sobreviventes do Holocausto

'As Catorze Vidas de David' relata o percurso de um casal de sobreviventes que se estabeleceu no Brasil no pós-guerra

Luis S. Krausz,

20 de julho de 2012 | 18h00

Os testemunhos dos que sobreviveram ao genocídio perpetrado contra os judeus da Europa durante a 2.ª Guerra Mundial se tornaram, com os anos, um gênero prolífico. E se essa multiplicação de relatos serve como fonte direta para um maior conhecimento do que ocorreu, de outro lado também se torna exaustiva. Duas perguntas cabem aqui: como se pode escrever a respeito do horror absoluto? E como se pode deixar de escrever?

As Catorze Vidas de David, relato do percurso de um casal de sobreviventes que se estabeleceram no Brasil no pós-guerra, escrito por seus filhos, é uma das possíveis respostas a tais perguntas. O livro aborda a trajetória de duas famílias que tiveram a "sorte" de fugir da Polônia ocupada para a União Soviética. Embora tenham sobrevivido à guerra, suas experiências sob o regime de Stalin foram profundamente traumáticas - sobretudo a de David Lorber Rolnik, que em várias oportunidades escapa da morte certa e passa anos aprisionado num gulag.

Um dos aspectos que a obra destaca é o da sobrevivência da fé ancestral diante do horror. Isso permite que, finda a catástrofe do judaísmo europeu, imediatamente passem à reconstrução de suas vidas. Rolnik, depois de constituir nova família, tendo-se casado ainda num campo de refugiados montado pelos aliados, se empenha na reconstrução de sua existência - e no ressurgimento de uma cultura ética que conjuga, em todos os tempos, o verbo resistir.

LUIS S. KRAUSZ É PROFESSOR DE LITERATURA JUDAICA E HEBRAICA DA USP E AUTOR DE DESTERRO: MEMÓRIAS EM RUÍNAS (TORDESILHAS)

 

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