Divulgação
Divulgação

Livro registra bastidores e legado da Semana de Arte Moderna de 1922

'Retrato do Brasil - Ensaio Sobre a Tristeza Brasileira' é organizado por Carlos Augusto Calil

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h12

Para a apresentação de Retrato do Brasil - Ensaio Sobre a Tristeza Brasileira, o organizador Carlos Augusto Calil escolheu um trecho de carta enviada pelo autor Paulo Prado a Mário Guastini. Nela, ele dizia que tinha uma "fraqueza" pelas coisas do passado e que se tivesse "o gênio e a arte do padre Antônio Vieira" escreveria a história do futuro. "Falta-se para isso em talento o que me sobra em dinheiro", confessou. Empresário, fazendeiro e bibliófilo, Prado (1869-1943) não foi, porém, um artista frustrado.

Se ele não podia, outros escreveriam esse futuro com sua ajuda. E foi assim que se tornou um dos principais mecenas do País, responsável, entre outros feitos, por financiar a Semana de Arte Moderna. Nos 90 anos do movimento, a Companhia das Letras lança a 10.ª edição desse livro publicado em 1928. Revista e ampliada, a obra ganhou uma maior seleção de cartas e de resenhas e ainda uma nova seção, que reúne textos antes dispersos.

Esse é apenas um dos livros que chegam - ou voltam - às livrarias para o aniversário da Semana. Na programação, há até títulos para crianças. O Sonho do Abaporu, do artista plástico paulistano Marcelo Cipis, sai pela Caramelo. Em sua história, o personagem do célebre quadro de Tarsila do Amaral deixa a moldura e passeia por diversos lugares.

Como numa grande reportagem, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves conta, em 1922 - A Semana Que Não Terminou (Companhia das Letras), os bastidores que antecederam e se seguiram ao evento que agitou o Teatro Municipal nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. Seus personagens - quem eram e o que foi feito deles, os cenários e as polêmicas são narrados na obra que traz também muitas imagens.

Movimentos Modernistas no Brasil, livro em que Raul Bopp, um dos participantes da Semana, resgata os episódios que culminaram na programação, é relançado pela José Olympio. De acordo com a editora, a obra estava fora de catálogo desde 1966. Ela também reedita Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, de Gilberto Mendonça Teles.

O pesquisador e regente Lutero Rodrigues estuda a produção de um dos compositores mais atacados pelos modernistas no livro Carlos Gomes - Um Tema em Questão (Unesp). Mario de Andrade, por ser o único músico entre os participantes e pela relação que viria a ter com a obra de Carlos Gomes, ganha destaque.

A arquiteta Maria Lucia Bressan Pinheiro lança Neocolonial, Modernismo e Preservação do Patrimônio no Debate Cultural dos Anos 1920 no Brasil (Edusp).

A nova edição de Santeiro do Mangue (Globo), de Oswald de Andrade, vem acrescida de textos de Chico Alvim, Haroldo de Campos, Vera Maria Chalmers e Mário da Silva Brito.

Dois títulos tiveram o lançamento adiado, mas estão previstos para este ano. Antropofagia, texto de Caetano Veloso extraído do Verdade Tropical (1997), será publicado em coleção da Penguin e Companhia das Letras. Café, inédito de Mario de Andrade, sairá pela Nova Fronteira.

Tudo o que sabemos sobre:
ModernismoSemana de Arte Moderna

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.