The New York Times
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Livro recupera universo da série 'Homeland'

Romance de Andrew Kaplan resgata a história pregressa da agente da CIA Carrie Mathison

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 18h33

O filósofo analítico inglês Bertrand Russel adorava thrillers e novelas policiais. Lia durante as viagens. Lia depressa. E depois jogava o livro no lixo – às vezes, pela borda do navio ou pela janela do trem. Provavelmente, o polêmico autor de Por Que Não Sou Cristão, não faria isso com o trepidante Homeland – Como Tudo Começou – A História de Carrie.

Sequela de uma sofisticada série de televisão, Homeland, o romance de Andrew Kaplan resgata a história pregressa da agente da CIA Carrie Mathison (interpretada pela atriz Claire Danes), marcada pela bipolaridade patológica que esconde de seus chefes e dedicação absoluta pelo trabalho. Parece tedioso? Esqueça.

As primeiras 37 páginas tiram o fôlego e o sono do leitor. Depois, haverá tempo para respiração. Mas não muito.

A terceira temporada da série é exibida às 23 horas de domingo no canal FX. Trata do envolvimento de Carrie com um sargento dos fuzileiros, o sniper Nicholas Brody.

Feito prisioneiro no Iraque, Brody reaparece oito anos mais tarde. Era dado como morto. É recebido como herói. Ao longo das duas primeiras temporadas caracteriza-se a suspeita da oficial Mathison – ela acredita que o marine, atirador de elite, seja, agora, um terrorista. De fato, durante o cativeiro ele foi convertido pelo líder radical Abu Nazir, espécie de Osama Bin Laden.

O livro de Kaplan clareia a fase anterior. Começa em 2006, com Carrie baseada em Beirute, preparando um contato com Rouxinol, um informante. O encontro é, na verdade, uma emboscada. O furacão não para mais. A agente escapa, mas é fortemente criticada pela chefia, burocrática e ineficiente. A torrente é intensa e inclui um novo ataque da Al-Qaeda contra Nova York.

O funcionamento da inteligência dos EUA, a forma como os serviços não se comunicam e competem ferozmente por verbas e prestígio, são revelados em detalhes, tanto no romance como nos episódios da TV. Não há muita explicação. “É uma história para pessoas informadas”, disse o autor no lançamento da edição americana, em 2013. Andrew Kaplan foi convidado pelos produtores da série para escrever o romance. Jornalista, correspondente de guerra, veterano dos exércitos dos EUA e de Israel, o escritor coleciona sucessos com a série Scorpion. Resistiu ao convite, mas, finalmente, entregou-se a Carrie Mathison, “pensando no perfil da atriz Claire Danes”. Meticuloso e inovador, Kaplan, criou, por exemplo, as condimentadas cenas de sexo do livro a partir da perspectiva feminina.

O mentor e chefe da personagem na trama, Saul Berenson (vivido na TV por Mandy Patinkin), é falho, está em crise conjugal, sofre com a insegurança, mas ainda assim é um estrategista impecável. O mesmo modelo de construção de tipos da vida real dá grandeza à narrativa. Ah, sim. Não é o fim. Kaplan está terminando um segundo romance da série Homeland. Pouco se sabe a respeito. Talvez seja revelado tudo o que houve com Nicholas Brody até o momento do atentado. Atentado?!

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