Livro recupera momentos da história do Municipal do Rio

Entre 1894 e 1908, Artur Azevedo publicou crônicas no jornal A Notícia defendendo a construção de um teatro do município do Rio, a capital federal, voltado à montagem de textos de dramaturgos brasileiros e ao aperfeiçoamento de nossos atores. Uma versão nacional da Comédie Française, o teatro estatal de França, que desde o século 17 tinha sua companhia própria.

AE, Agência Estado

09 de agosto de 2011 | 10h05

Mas a construção erguida à semelhança da Ópera de Paris e inaugurada a 14 de julho de 1909 no Largo da Mãe do Bispo - duas décadas depois, com o boom dos cinemas, apelidada definitivamente de Cinelândia -, pouco tinha a ver com o que Azevedo (que havia morrido nove meses antes) sonhara: era uma casa de ópera, dança e música sinfônica, onde reinavam produções vindas da Europa.

De lá para cá, o Teatro Municipal do Rio passou por boas e más fases, e se manteve como o palco mais nobre do País, com uma programação que ofereceu ao público local as maiores estrelas do mundo. O livro "Theatro Municipal do Rio de Janeiro - Um Século em Cartaz", que será lançado hoje no restaurante do teatro disseca esse século de programação.

Especialistas nas áreas de teatro (Barbara Heliodora), ópera (Bruno Furlanetto), dança (Beatriz Cerbino) e concertos (Clóvis Marques) analisam o período. Uma conclusão: conforme o tempo foi passando e as produções, encarecendo, o palco foi sendo menos ocupado. "No início do século 20, tinha espetáculo todo dia. Era muito mais barato. Com a mudança da capital para Brasília, foi caindo", conta a produtora Nubia Melhem Santos, que organizou o livro. A diversidade também foi diminuindo, o que faz com que óperas como "La Traviata" e "La Bohème" e balés como "O Lago dos Cisnes" e "Giselle", de bilheterias seguras, sejam executados com mais frequência que outros títulos.

Além de uma coletânea de fotos de seus majestosos ambientes, da passagem de artistas como Stravinski, Nijinsky, Nureyev, Maria Callas, Pavarotti, Bidu Sayão, Ray Charles e Ella Fitzgerald e de registros de peças de teatro com nossos maiores atores, o livrão, de 450 páginas e vendido a R$ 210, tem reproduções de programas de temporadas de diferentes décadas, e muitas curiosidades. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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