Livro narra encontro de gigantes

Ela queria democratizar a moda feminina; ele, redefinir o gosto musical. E, em algum momento, encontraram em seus objetivos um universo comum. Esse é o mote do livro Coco Chanel & Igor Stravinsky, de Chris Greenhalgh, que serviu de base para o roteiro do filme do cineasta Jan Kounen e chega esta semana às livrarias do Brasil (Larousse).

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Em entrevista ao Washington Post, Greenhalgh, que também assina o roteiro do filme, explicou o ponto de partida para o romance. As fontes históricas são contraditórias - se na biografia de Chanel o caso é sugerido abertamente, na de Stravinsky, assinada por seu confidente Robert Craft, não há referência a mais do que um flerte. A história real, aqui, pouco importa. Para Greenhalgh, os dois personagens encontraram um no outro eco para a intensidade com que buscavam romper com o passado na busca de uma nova linguagem, em uma época e local - a Paris do começo do século 20 - em que o mundo se transformava rapidamente. "Eles falavam com vigor e convicção de suas ideias, encontrando terreno comum e fértil no escárnio com que lidavam com a ideia ultrapassada de luxo e do caráter decorativo que ele identificava na música recente."

Em geral, a crítica internacional recebeu bem o livro, que marca a estreia de Greenhalgh na prosa - anteriormente, dedicava-se apenas à poesia. O que chamou a atenção, porém, foi a oposição entre estilo e tema. Se a busca de Coco Chanel e Stravinsky pelo novo passava em parte pela eliminação dos excessos, a escrita de Greenhalgh nem sempre consegue manter a sobriedade, mergulhando em uma profusão de adjetivos, metáforas e descrições.

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