Livro

Concordo, o livro está caro, mas o cinema também está e a gasolina mais ainda. É cada vez mais econômico não sair de casa. E o livro leva nítida vantagem sobre todas as outras formas de divertimento caseiro. É melhor do que TV. É melhor do que conversar com a família. Você já sabe o que vai encontrar na TV. Também já sabe o que a família tem para dizer. Mas cada livro novo tem coisas novas para contar. É como um desconhecido que entra em sua casa cheio de novidades e de histórias. E você não precisa lhe oferecer nada. Um uisquezinho, uns salgadinhos... Nada.

VERISSIMO, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2012 | 03h12

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Vou exagerar: livro é melhor do que sexo. Você pode tomar o uísque antes, depois e durante a leitura. Livro nunca pede para apagar a luz - pelo contrário, exige que ela fique acesa. Quando você termina a leitura o livro não pergunta "Foi bom para você?". Livro nunca está com dor de cabeça.

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Ler é melhor do que ouvir música. Ouvir música é uma coisa passiva. Na leitura você participa. Segura o livro. Vira a página. Se preferir, pode molhar a ponta dos dedos para melhorar a aderência. Ao contrário da música, você pode, se quiser, começar a ler de trás para diante. Pode fazer anotações nas margens. Pode acariciar, cheirar, manipular o livro. Pode até mastigá-lo, por que não?

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Ler é melhor do que jogar carta. Livro não tem parceria nem adversário. Ler é melhor do que montar estante, trocar lâmpada ou qualquer outro afazer doméstico. Não há possibilidade de acidentes com livro, a não ser cortar o dedo na borda do papel, o que arde mas não mata.

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A superioridade do livro sobre a TV é indiscutível. Livro não tem comerciais. Você lê o livro que quer sem precisar impor sua vontade e disputar o controle remoto com o resto da família a tapas. E de madrugada, quando o livro está ficando bom, não entra um filme que você já viu dez vezes.

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E livro é muito melhor do que cinema. Você escolhe a melhor poltrona para sentar com seu livro sabendo que não haverá uma mulher atrás de você pedindo ao marido para explicar o enredo. E que não há a menor possibilidade de saltar um personagem armado do livro na sua frente e começar a disparar na sua direção.

Milionários. Lá pelos anos 50 apareceu na Colômbia um clube de futebol chamado "Milionários" Não se sabia bem se os milionários do nome eram os donos do clube ou seus atletas, pois começaram a contratar jogadores com os mais altos salários de toda a América Latina. Se não me engano, até o Heleno andou por lá. A expressão ainda não existia, mas talvez tenha sido a primeira vez que se pretendeu fazer um "dream team" no futebol. Os contratados eram todos grandes jogadores, com uma característica em comum: estavam todos em fim de carreira, fazendo o último contrato de suas vidas, num time que se interessava mais pelos seus nomes do que suas idades ou condições físicas. Como costuma acontecer com os "dream teams", o "Milionários" não deu certo. Se ainda existe, não tem a mesma ambição de antes. Pensei nele porque não sei se a vinda de jogadores como Seborg, Zé Roberto e Forlan repete o espírito do "Milionários", de apostas em nomes e passados e não na realidade, ou significa que o Brasil mudou mesmo e virou importador de grandes jogadores. A torcida é que os contratados mostrem que ainda têm as pernas que os consagraram.

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