Livro discute obra de Osman Lins

Se estivesse vivo, Osman Lins teria completado 80 anos em julho. Como já faz tempo que morreu (em 1978), sua obra foi relegada a um inadmissível segundo plano. Para que o importante pensamento do escritor pernambucano continue fomentando debates, o autor e jornalista Hugo Almeida reuniu 18 ensaios de estudiosos para compor o livro Osman Lins: O Sopro na Argila (Nankin Editorial), que será lançado hoje, às 19h30, no Bar Balcão, onde também será divulgado o romance Anacrusa, de Ricardo Daunt, pela mesma Nankin. "Os estudiosos reunidos neste volume pretendem dividir e multiplicar a alegria de uma leitura enriquecedora", informa Almeida, no prefácio, alertando, porém, para a escassez de opções oferecidas aos leitores: com exceção de Lisbela e o Prisioneiro (Planeta) e dos clássicos Avalovara e Nove, Novena (Cia. das Letras), boa parte da obra de Lins está esgotada, encontrada apenas em sebos abençoados. "A ética e a estética de Osman Lins têm feito enorme falta às novas gerações", completa Almeida. Lins sempre se preocupou com sua vocação de escritor e sua solitária relação com a sociedade, o mercado editorial, a crítica e o leitor. Desde seu primeiro romance, O Visitante, lançado em 1955, até sua morte, ele jamais aceitou desviar do compromisso como autor que o impedia de fazer concessões que lhe garantiriam sucesso. "Osman percorreu, ao longo de seus 54 anos de vida, uma trajetória ascendente. Sua postura ética e profissional, tal qual a vivida pelos seus personagens, foi sempre irrepreensível", escreve, em um dos artigos, Lauro de Oliveira, amigo do escritor e seu ex-colega no Banco do Brasil. Já sobre seu teatro, Lins acreditava que era obra de entretenimento para ele e o público. Assim, para o regionalismo de Lisbela aproveitou histórias ouvidas por amigos e familiares, além de uma boa pesquisa de ditados, expressões populares e até os dísticos encontrados em pára-choques de caminhões. Quando morreu, de câncer, Osman Lins estava escrevendo o romance Uma Cabeça Levada em Triunfo, que ficou inacabado. Suas idéias sobre a literatura, porém, ficaram gravadas em um ensaio pouco conhecido hoje, Guerra sem Testemunhas, publicado em 1969. Ali, pregou um zelo e um cuidado tamanhos que, mesmo no novo século, Osman Lins ainda é um escritor a se descobrir, como mostram os ensaios de O Sopro na Argila.Osman Lins: O Sopro na Argila - Organizado por Hugo Almeida. 376 páginas. R$ 30. Anacrusa - de Ricardo Daunt. 150 páginas, R$ 20. Nankin Editorial. Lançamento hoje, às 19h30, no Bar Balcão, Rua Melo Alves, 150, Jardim Paulista, 3063-6091

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