Livro discute a estatura do teatro infantil

No texto de apresentação de seu livro Pecinha É a Vovozinha!, editado pela DBA (80 págs., R$ 19), Dib Carneiro Neto chama atenção para o ?círculo vicioso? de acusações mútuas ? o empurra-empurra de responsabilidades entre artistas, produtores, patrocinadores e imprensa ? que emperra as tentativas de acabar com o estigma de teatro infantil como teatro menor, a tal ?pecinha? do título. Na quebra desse círculo vicioso de lamentações reside a maior qualidade do livro. É para o ?fazer teatral? que o crítico volta seu olhar, buscando detectar nas produções ? e nos debates com os criadores ? os possíveis instrumentos de aperfeiçoamento dessa arte, melhor ponto de partida para sua valorização. Logo no primeiro capítulo ? intitulado os Os Dez Pecados mais Comuns Cometidos nos Palcos de Teatro Infantil ?, o autor aponta equívocos típicos de produções infantis como o ?excesso de intenções didáticas? ou ?obsessão pela lição de moral?. E outros que, embora focados para o teatro infantil, seriam bem úteis para qualquer teatro, como por exemplo sua crítica ao ?recurso pobre? do uso de bordões televisivos (?fala sério? ou ?faz parte?) para provocar humor. ?Invariavelmente, faz as crianças e pais caírem na risada e cria no autor a ilusão de empatia, uma falsa idéia de que a platéia aprovou a peça.? São observações argutas, fruto da experiência adquirida ao longo de 13 anos na profissão de crítico de teatro infanto-juvenil. Já no capítulo seguinte, Com a Palavra..., o autor dá voz a 14 profissionais da área, entre eles o dramaturgo Vladimir Capella e a diretora Débora Dubois, que respondem a questões como ?aponte um atributo que seja fundamental para um autor que queira escrever peças infantis? ou ?você acha que existe uma linguagem específica para falar com a criança no teatro ou esse tipo de segmentação é castrante?? Ano passado, o autor participou de uma série de debates promovidos pela Panamco e escreveu sobre eles no Estado. O quarto capítulo do livro é integrado por uma seleção desses textos. E o quinto por 11 críticas de peças infantis, todas positivas, igualmente publicadas no Estado. ?Selecionei aquelas em que pude me estender na argumentação?, diz o autor. ?E positivas, pois não queria perpetuar um juízo negativo.? Trazendo ilustrações de Baptistão, também do Estado, e fotos de peças, o livro tem a vantagem de resgatar e ampliar ? com a visão de conjunto ? uma reflexão importante.

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