Livro defende mudanças nas leis de incentivo cultural

As leis de incentivo, no âmbito federal, têm pouco mais de 7 anos de funcionamento efetivo e seu acionamento ajudou a despertar de um sono profundo, por exemplo, o cinema. Mas esses mecanismos já mostram sinais de fadiga e pedem atualização, segundo defende em livro o publicitário e produtor cultural Leonardo Brant.Mercado Cultural - Investimento Social, Formatação e Venda de Projetos, Gestão e Patrocínio, Política Cultural (Escrituras Editora), que será lançado na terça-feira, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Rua Padre João Manoel, 40 loja 151) traz uma reflexão sobre essas leis e propõe alternativas para reanimá-las."Importante notar que 70% do dinheiro federal empregado em 1999 em projetos culturais vem dos incentivos à cultura", escreve o autor. "Em 1998, esse índice chegou a 77%, ou seja, a produção cultural no Brasil vive, em grande parte, do dinheiro do contribuinte, mas não beneficia a sociedade na mesma proporção".Toda a primeira parte do livro é dedicada ao exame das questões que envolvem a eficácia das leis como elemento de democratização da cultura. Brant cita casos como o da construção do Teatro Alfa (que custou R$ 7 milhões e tem alguns dos mais caros ingressos de São Paulo) e o espetáculo Últimas Luas, produzido por Antonio Fagundes, que captou R$ 1,4 milhão, mas não beneficiou o grande público.Outros exemplos citados são espetáculos de grande apelo comercial, como o Carnaval da Banda Mel e Melomania (custo de R$ 771 mil), a turnê conjunta de Gilberto Gil e Milton Nascimento (R$ 939 mil), o espetáculo teatral Caixa 2 (típico exemplar do chamado ´teatrão´, que levou R$ 1,1 milhão)."A limitação de critérios do Ministério da Cultura na aprovação dos projetos impede que todos os lados da parceria sejam contemplados", diz Brant, que também critica o que chama da "falta de transparência" de fontes de recursos federais como o Fundo Nacional de Cultura.Na segunda parte do livro, Brant dedica-se a vender seu peixe. Especialista no ramo, ele ensina a formatar um projeto cultural e torná-lo atraente e correto do ponto de vista legal. Traz dicas para o agente cultural e conselhos de alguma obviedade, como "Nunca chegue atrasado. É imperdoável."

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