Livro 'Casadas com o Crime' ilumina a questão feminina

Jornalista Josmar Jozino, do 'JT', recebe Menção Honrosa no 30º Prêmio Vladimir Herzog por obra; leia capítulo

Da Redação,

29 de outubro de 2008 | 17h15

Josmar Jozino, repórter de polícia do Jornal da Tarde, conhece profundamente a realidade dos presídios brasileiros. O escritor ganhou Menção honrosa por seu livro Casadas com o Crime (Letras do Brasil), na 30ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que elege os melhores nas categorias foto, artes, internet, jornal, rádio, documentário de TV, revista e livro-reportagem e reportagem de TV.   O vencedor da categoria livro-reportagem foi Carlos Dorneles, com Bar Bodega - Um crime de imprensa (Editora Globo). Na categoria internet, o vencedor foi o documentário Nação Palmares feito por uma equipe da Agência Brasil. O jornalista do Estado Rodrigo Savazoni foi um dos quatro coordenadores do projeto que traz reflexões sobre a questão quilombola no país, assinado também por André Deak, Juliana Nunes, Spensy Pimentel, André de Oliveira, Jefferson Pinheiro, Fausto José, Yasodara Cordova, Mario Marco, Robson Moura, Marcello Casal Jr., Valter Campanato, Wilson Dias e José Cruz. Segundo Savazoni, a idéia é apresentar um documentário "como um hipervídeo, de maneira que você pode clicar em outros vídeos paralelos a partir da narrativa principal".  Veja também: Leia o primeiro capítulo de 'Casadas com o Crime'   Documentário 'Nação Palmares'   O prêmio, entregue na segunda-feira, 27, no teatro TUCA, teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é uma estatueta do artista Elifas Andreato com o perfil do Herzog. Os ganhadores das menções honrosas recebem um certificado. O jornalista e escritor Jozmar Jozino já recebeu menção honrosa do prêmio Wladimir Herzog por uma série de reportagens reunidas no livro Cobras e Lagartos, publicado em 2005 pela editora Objetiva, obra que revela a história da formação do Primeiro Comando da Capital, o conhecido PCC. Monica Martinez, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, e uma das juradas do prêmio na categoria, disse que a decisão para as obras que receberiam menção honrosa foi muito dura. Sobre o livro do Jozino, afirma que é "muito bem feito. Ele optou por escrever o livro no formato de histórias de vidas, são múltiplas histórias. O conceito mais comum de perfil é que são histórias ligeiras, mas o Jozino faz uma coisa mais profunda. Ele aborda um lado do crime que não é muito divulgado, que é a questão feminina. Ele não se limita a pegar só o depoimento de presas e ex-presas. Ele vai além. Coloca o depoimento de várias mulheres que estão ou estiveram na condição de presas, mas também de mulheres de presos, de filhas, algumas mães que têm filhos presos... Ele dá o olhar plural". "E além de escrever muito bem, ele trabalha com essas histórias com muita sensibilidade e sem ser sensacionalista. Nós vemos os seres humanos numa situação bastante difícil, dramática. Conseguimos enxergar essas pessoas por trás de seus dramas", continua Monica. Outra questão interessante apontada pela jurada é sobre a maneira pela qual a obra foi composta. "Como o livro tem múltiplas histórias, o leitor tem autonomia para escolher que caminho quer fazer durante a leitura. Ele tem liberdade de escolha. É uma obra muito bem apurada e bem próxima de um produto da mídia digital."

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