Livro avalia leis de incentivo a projetos editoriais

As leis de renúncia fiscalpermitiram que a iniciativa privada realizasse projetos deautores e promotores culturais, mas, ao mesmo tempo, revelaram aexistência de uma quantidade ainda insuficiente de promotores.Uma análise detalhada dos pontos favoráveis e também osnegativos das leis é o grande mérito da obra O Livro e aLeitura na Lei Federal de Incentivo, que a jornalista CristinaRamalho lança na quarta-feira, a partir das 19 horas, naLivraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509, loja 17). Trata-se de um balanço do uso da lei especificamente nosprojetos editoriais, o que exigiu da autora o trabalho deentrevistar cerca de 30 pessoas, entre editores, autores,fotógrafos, jornalistas e patrocinadores. Da conversa, elalevantou os pontos mais discutidos, além de apresentar os 50melhores projetos favorecidos pela lei. "Todos os entrevistados apresentaram problemas diversos, mas também foram unânimes em apontar a lei como um benefícioindispensável", conta Cristina, lembrando que o principalentrave é justamente o número diminuto de empresários dispostosa investir. Em um dos textos introdutórios do livro, o empresárioRonaldo Graça Couto menciona que, entre janeiro de 1993 e outubrode 2002, foram apresentados para análise 4.763 projetos, pormeio do mecanismo do Mecenato da Lei de Apoio à Cultura. Dessetotal, 3.668 (77%) conseguiram aprovação legal e se capacitarampara captar financiamento, mas apenas 809 projetos conseguiramrecursos no mercado, representando cerca de 17% do totalapresentado, ou cerca de 22% dos projetos aprovados. Cristina mostra, porém, que o mercado tem aceitado emmaior quantidade os projetos devido à facilidade para se editarum livro de arte, além do aumento de pessoas propondo idéias.Ainda há críticos que alegam que os livros de arte são umdesperdício de dinheiro público, além de seu preço serproibitivo nas livrarias. Os editores se defendem dizendo que as obras sãocolocadas a preços similares a produtos do mercado porque senãoos projetos não sobreviveriam a novas tiragens. Entre os exemplos de trabalhos bem sucedidos, está AGuerra (1914-1918), coleção de quatro volumes que reúne acobertura pessoal de Julio Mesquita, do Estado, da primeira GuerraMundial.

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2003 | 15h59

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