Livro analisa 50 mentes mais perturbadas do cinema mundial

Em 'Psicopatas em Série', os autores Jordi Batet e Rafael Dalmau viram mais de 200 filmes para fazer a lista

Catalina Guerrero, da Efe,

07 de outubro de 2008 | 14h31

A mente humana pode criar anjos ou demônios, como se comprova no cinema com Norman Bates, de Psicose, e Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes, duas das 50 mentes mais perturbadas retratadas no livro Psicópatas en Serie (Psicopatas em Série), de Jordi Batet e Rafael Dalmau. Os autores viram mais de 200 filmes para fazer a lista e compor esta obra em apenas três meses, segundo explicou o próprio Dalmau à Agência Efe. John, o assassino de Seven - Os Sete Crimes Capitais; Mickey e Mallory, de Assassinos por Natureza, Leatherface, de O Massacre da Serra Elétrica; Alex, o excêntrico líder de Laranja Mecânica; Jack Torrance e seu O Iluminado; e Bruno, de Pacto Sinistro, estão presentes nas páginas deste livro que destila sangue. No entanto, afirma Dalmau, buscou-se fugir dos temas que mostram vísceras e que expõem "a violência por si só". "O sangue vende", reconhece Dalmau, que, junto a seu colega e também crítico de cinema Batet, escolheu 50 longa-metragens em cujas cenas aparecem quase 500 mortos, entre assassinatos a sangue frio e outras atrocidades cometidas pelos piores monstros humanos que o cinema se atreveu a criar ou recriar. Os autores também incluíram produções baseadas em fatos reais. Mais especificamente, 21 dos filmes selecionados se baseiam em personagens verídicos e nos crimes que cometeram. É o caso - para citar alguns - de Almas Gêmeas, Elefante, O Homem que Odiava as Mulheres, O Estrangulador de Rillington Place, Henry - Retrato de um Assassino, O Massacre da Serra Elétrica, Viagem ao Inferno ou Ted Bundy. Esse último, inclusive, teve a duvidosa honra de ser o primeiro qualificado como "assassino em série" nos Estados Unidos. A maior parte dos filmes escolhidos é americana, já que a realidade se impõe: "O cinema americano sempre reina", afirma Dalmau, que ressaltou, no entanto, que, no livro, ele e Batet colocaram "de tudo, filmes espanhóis, alemães, franceses... até um sul-coreano, para que haja variedade". Em nome da diversidade, foram selecionados 17 filmes deste tipo de assassinos em série. El Cebo, de Ladislao Vajda, e Os Meninos, de Narciso Ibáñez Serrador, foram as produções espanholas escolhidas. Dos oito de origem do Reino Unido se destacam, por exemplo, Frenesi e Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock; Laranja Mecânica e O Iluminado, de Stanley Kubrick; ou Repulsa ao Sexo, dirigido por Roman Polanski e protagonizado por Catherine Deneuve. O sul-coreano mencionado por Dalmau é Memórias de um Assassino, de Bong Joon-ho; mas também figura o austríaco Violência Gratuita, de Michael Haneke; e o australiano Viagem ao Inferno, de Greg Mclean, considerado um clássico do cinema de terror. Completam a lista de filmes não-americanos a produção britânico-neozelandesa-alemã Almas Gêmeas, de Peter Jackson; as alemãs M., o Vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang, e O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene; assim como a francesa A Invasora, de Alexandre Bustillo e Julien Maury. Os dois últimos respondem, segundo Dalmau, à preocupação de que houvesse filmes de "todas as épocas". Assim, o primeiro é de 1920 e é uma produção muda, enquanto o segundo é de 2007, foi exibido esse ano no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Sitges, e é "talvez um dos filmes mais extremos que se viu em uma tela de cinema", de uma violência "atroz e horrível". Os autores de Psicópatas en Série também buscaram fazer um inventário de todos os instrumentos usados pelos personagens dos filmes para matar, assassinar, torturar, atropelar, estrangular, serrar, martelar, esquartejar ou cortar as vítimas. A lista pode ser encontrada no final do livro. Com o cinema, se "aprende muito", afirma Dalmau, mas o mais "inquietante" para ele foi perceber que convivemos com muitos psicopatas. Prova disso é o prólogo feito pelo psicólogo Bernat Parés Sabatés, que faz a mesma ressalva. Um psicopata é "uma pessoa que sofre de um transtorno da personalidade anti-social", começa o prólogo. "Tecnicamente, é definido como a pessoa que tem, desde a infância, um patrão geral de rejeição e violação dos direitos e dos sentimentos alheios", prossegue. "Não sofre de alucinações ou delírios, mas se caracteriza por ser uma pessoa impulsiva e com grande incapacidade para se colocar na pele dos demais. Não costuma ter remorsos e as justificações que dá para seus atos são como 'a vida é dura'", segundo Parés.

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