Boris Roessler
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Livreiros portenhos comemoram as vendas

No ano que vem os argentinos recordarão com um frio na espinha os dez anos da maior crise econômica, social e política de sua História, o "colapso" de 2001. Na época, milhões de argentinos de classe média despencaram para a classe baixa, tornando-se 60% dos pobres. Desesperados por sobreviver, deixaram de lado qualquer gasto que não fosse essencial. Os livros novos passaram a ser um elemento de luxo.

Ariel Palacios CORRESPONDENTE BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

Milhares de pessoas tiveram de vender suas bibliotecas, acumuladas ao longo dos anos. Simultaneamente, as livrarias estavam às moscas, enquanto as casas editoriais tentavam vislumbrar a luz no fim do túnel. A saída para isso foi exportar para os países hispano-falantes da região, que não haviam sido afetados pela crise.

No entanto, o país recuperou-se da crise e exibiu um crescimento persistente não visto desde o início do século 20. Os livreiros portenhos costumam afirmar: "A indústria do livro é a primeira que cai durante uma crise... e é a primeira que se recupera quando a situação se reverte."

Em 2009, os últimos dados do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Econômico Metropolitano (Cedem) registraram 22.600 títulos de livros na Argentina com uma tiragem de 88 milhões de exemplares. O número de títulos foi levemente inferior a marca de 2008, de 97 milhões de unidades, que havia sido o melhor ano desde a crise de 2001. Mas, apesar disso, 2009 mostrou que o crescimento continua, já que foi um ano de melhor desempenho do que 2007, quando a produção foi de 82 milhões de livros.

Gripe. Os especialistas do setor afirmam que a queda em 2009 pode ser atribuída à crise internacional e seus efeitos na Argentina, além da gripe suína, que reduziu a ida das pessoas às livrarias. Para 2010, a expectativa é de maior crescimento.

Em 2009, a tiragem em média por cada edição foi de 3.900 unidades, o equivalente a 8% a menos do que em 2008. Do total publicado, 84% corresponderam a novidades editoriais.

Nos últimos anos consolidou-se a tendência do predomínio da impressão de livros dentro do país. Em 2009, 93% dos exemplares foram impressos na Argentina, volume maior do que na década de 90, quando a proporção de livros que saíam das gráficas argentinas era de 80%.

No entanto, apesar do crescimento, o setor está de olho na pirataria de livros. Segundo a Câmara Argentina de Publicações (CAP) ao redor de 20% dos best-sellers foram pirateados em 2009. A CAP alerta para a "consolidação desse fenômeno que ameaça a estabilidade da indústria editorial".

Honra. A Argentina - país que celebra neste ano os 200 anos do início do processo da independência - é a convidada de honra da feira do livro de Frankfurt. O país enviou a este evento internacional um total de 48 editoras e 55 escritores argentinos, entre os quais Guillermo Martínez, Juan Gelman, Martín Kohan, Alan Pauls, Pablo de Santis e Ana María Shua.

O pavilhão argentino, de 2.500 metros quadrados, tem o formato de um labirinto dos contos do escritor Jorge Luis Borges (1899-1986). O escritor também será homenageado com o lançamento de um selo comemorativo na Argentina e na Alemanha.

A presidente Cristina Kirchner participará da inauguração da feira. Além disso, o argentino-israelense Daniel Barenboim embalará o dia da abertura da feira com um concerto de piano.

A Argentina conta com 548 editoras que empregam 7.800 pessoas. Em toda a Argentina existem 2.411 livrarias, o equivalente a uma a cada 15 mil habitantes. O número de sebos (incluindo feiras ambulantes de livros) é um mistério, mas calcula-se que seja superior a 10 mil em todo o território argentino.

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