LIVRARIA LANÇA INÉDITOS DE KESSEL E VEROCAI

Venda de CDs na rede tem aumentado 10% a cada ano e ainda causa "comoção" em fãs, diz executivo

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h08

Dois discos inéditos no Brasil em CD estão sendo lançados pela rede de Livrarias Cultura: Hair Is Beautiful, de Barney Kessel, clássico jazzístico de 1969 (único disco que Kessel, precursor da bossa, gravou para a Atlantic); e Arthur Verocai (1972), trabalho raro do maestro Verocai que vem sendo redescoberto recentemente por DJs e "sampleiros" de todo o mundo. Além destes, o lendário álbum Todos os Olhos (1972), de Tom Zé, também tem uma edição em CD (em 2010, tinha sido feita uma edição em vinil do álbum, cuja história da foto de capa - uma pedra no centro de um ânus humano - tornou-se parte do folclore da MPB).

O disco de Verocai, considerado gênio no Exterior e praticamente desconhecido no Brasil até dois anos atrás, vem em boa hora. O músico tocou no ano passado na Mostra Internacional de Música de Olinda e fez arranjos para faixas do festejado disco de Marcelo Jeneci. O álbum misturava bossa nova, jazz, música clássica e experimental. "Dei tudo de mim ali, fiz do meu gosto. Não ter acontecido nada com o disco foi uma grande frustração", disse Verocai ao Estado em abril do ano passado.

As outras raridades da coleção 2012 (que já estão nas lojas), são Zabumbe-Bum-á (Hermeto Pascoal, 1979); The Music From Siesta (Marcus Miller e Miles Davis, produzido como trilha sonora para o primeiro longa-metragem da videomaker Mary Lamber, The Music From Siesta); Águia Não Come Mosca (do Azymuth, grupo brasileiro expatriado); Herbie Mann & João Gilberto With Antônio Carlos (de 1966); In Person at El Matador (Sergio Mendes); Salud! João Gilberto (do cantor, compositor e baterista Jon Hendricks); e Love Island (gravado por Eumir Deodato nos estúdios House of Music, em Nova York).

O primeiro pacote de discos da Coleção Cultura foi lançado em julho de 2010, quando foram resgatados 10 títulos que estavam fora de catálogo (ou que nunca haviam sido lançados em CD no País), em parceria com a Sony Music. Saíram, na ocasião, Bossa Nova USA (The Dave Brubeck Quartet); Som, Sangue e Raça (Dom Salvador e Abolição): Embalo Trio (Embalo Trio); Vela Aberta (Walter Franco); Karma (Karma); Edison Machado e Samba Novo (Edison Machado); Os Ipanemas (Os Ipanemas); A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (Zé Ramalho); A Vontade Mesmo (Raul de Souza); e What's new? (Sonny Rollins).

"A nossa intenção é lançar 50 títulos pela coleção dentro dos próximos 2 a 3 anos", diz João Paulo da Silveira Bueno, coordenador de música das Livrarias Cultura. A empresa parece ir na contramão das tendências, que é limitar o comércio do produto físico de música. "CD ainda é um produto importante para a livraria, apesar da pirataria, do download e agora do iTunes. Nos últimos 3 anos, aumentamos a quantidade de vendas da categoria e ela contribui positivamente para o resultado da empresa. Temos crescido em média 10% ano após ano", informou Bueno.

O CD ainda causa comoção no fã de música, avalia o executivo. "Outra coisa sobre o iTunes: o preço em dólar com 6% de imposto que o consumidor pagará, para alguns produtos, acaba saindo mais caro do que na loja física. Por exemplo: os discos do Roberto Carlos eram vendidos a US$ 9,99, o que dava mais ou menos R$ 18 a R$ 19 reais; nas lojas, os CDs do artista estão a R$ 14,90, e em algumas lojas até mais barato."

Segundo Bueno, os direitos dos artistas foram todos tratados pelas gravadoras e respectivas editoras - detentoras dos direitos das obras junto aos artistas e respectivos interessados. "A Livraria Cultura entra como o parceiro comercial, responsável pela venda dos CDs", informou.

A curadoria é de Charles Gavin, pesquisador e baterista dos Titãs. Segundo a Cultura, o que norteou a escolha dos títulos foi "a relevância histórica de cada disco escolhido, além do interesse em resgatar álbuns que sejam importantes para a divulgação da música brasileira no Brasil e no mundo, unindo o ineditismo e raridade de alguns deles junto ao interesse comercial e do público". Outra condição primordial é que também a arte gráfica da capa, contracapa e notas sejam fiéis ao que originalmente foi apresentado em sua época de lançamento.

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