Livraria carioca nega ter leiloado obras roubadas

A polícia do Rio identificou alguns possíveis integrantes da quadrilha responsável pelo roubo das obras da Biblioteca Mário de Andrade da capital paulista, bem como o esquema de furto, receptação e venda. A investigação levou os policiais à livraria Babel Livros, onde várias obras foram leiloadas. A livraria carioca arrecadou R$ 60.620 com a venda de obras de arte. Dessas, 14 foram comprovadamente roubadas e recuperadas. O advogado da livraria Babel Livros, Fernando Fernandes, considerou um equívoco a Polícia Federal de São Paulo ter apontado seu cliente como principal suspeito de vender peças da Biblioteca Mário de Andrade. "As peças foram leiloadas com nota fiscal e a livraria não tem o menor conhecimento de que elas tinham sido furtadas. A loja tem colaborado com as investigações e, inclusive, entrado em contato com os clientes para que eles devolvam as peças suspeitas", disse o advogado. Ele negou envolvimento da Babel Livros no furto das obras. "Acho que as autoridades policiais tiraram conclusões precipitadas sobre o caso, e pediu "que a PF divulgue a lista das obras roubadas da biblioteca, o que facilitará o reconhecimento das que foram leiloadas". 75 obras foram recuperadasA polícia apresentou na quinta-feira as 75 obras que recuperou (entre, elas, as 14 do leilão), mas o número de peças em circulação é incerto. "Não sabemos quantas obras falta recuperar. Nem a Mário de Andrade sabe. Mas o número é grande", disse Fernando Gomes Pires, delegado titular da 1.ª Delegacia Seccional. Pires esteve na Babel Livros, no Rio, e obteve uma relação de lotes dos leilões. Segundo ele, a livraria, apesar de colaborar nas investigações, pode estar envolvida no esquema. A reportagem procurou a Babel Livros, mas não obteve retorno. "Temos quatro indiciados, mas como não houve flagrante, não podemos mantê-los presos", disse o delegado. Ricardo Pereira Machado, de 28 anos, ex-estagiário da Mário de Andrade, foi quem lucrou com os leilões. O restaurador José Camilo dos Santos, de 44, funcionário afastado da biblioteca, seria o fornecedor. Outras 61 obras foram encontradas na casa de Erivaldo Tadeu Nunes, de 33 anos, ex-cunhado de Santos. O quarto indiciado foi Laéssio Rodrigues Oliveira, de 33, sócio de Ricardo numa banca de livros antigos do centro de São Paulo.

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