'Liv & Ingmar' destaca parceria entre cineasta e a atriz

No livro "O Cinema Segundo Bergman" (Paz & Terra), o mestre sueco conta como conheceu Liv Ullmann. Bibi Andersson havia sido contratada para fazer um filme chamado "Os Canibais" (depois se tornaria "A Hora do Lobo") e ele havia encontrado um grupo de atores noruegueses que visitava Estocolmo. Entre eles, uma moça bastante interessante. "Preciso escrever um papel para ela", disse para si mesmo. A moça era Liv. Ela se tornou amiga de Bibi Andersson, Bergman as observa e pensa: "Como são parecidas". Nascia a ideia de "Persona" (1966) que, entre outras qualidades, tem a de ser a primeira colaboração artística entre Liv Ullmann e Ingmar Bergman. Essa trajetória em comum - na vida como na arte - é o tema do belo documentário "Liv & Ingmar - Uma História de Amor", de Dheeraj Akolkar, que estreia nesta sexta-feira nos cinemas.

AE, Agência Estado

14 de dezembro de 2012 | 10h24

O filme é um longo depoimento da agora madura Liv Ullmann, falando do seu companheiro de vida e filmes. Mantiveram um casamento tumultuado, como seria de se esperar dada a época em que conviveram e seus respectivos temperamentos. Tiveram uma filha, Linn, e trabalharam juntos em nada menos que dez longas-metragens.

Não são filmes comuns. Podem ser qualificados, com uma exceção, em escala que vai do excelente à obra-prima, sem qualquer extravagância valorativa por parte do crítico. Na dúvida, basta lembrar os títulos: "Persona" (1966), "Vergonha" (1968), "A Hora do Lobo" (1968), "A Paixão de Ana" (1969), "Gritos e Sussurros" (1972), "Cenas de Um Casamento" (1973), "Face a Face" (1976), "O Ovo da Serpente" (1977), "Sonata de Outono" (1978) e "Saraband" (2003). A exceção é "O Ovo da Serpente", tido como um Bergman menor, embora pelos padrões de hoje possa ser considerado até brilhante.

O fato é que Bergman encontrou em Liv seu instrumento precioso. O belo rosto da norueguesa expressa, como nenhum outro, o conflito interno de que se compõe o imaginário do diretor. Suas personagens são dilaceradas como a Elizabet Vogler, de "Persona", ou Alma Borg, de "A Hora do Lobo". Podem ser oprimidas como a Marianne de "Cenas de Um Casamento", ou Eva, de "Sonata de Outono". Mas nunca são passivas. Guardam força interna, angustiada, que a câmera capta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

LIV & INGMAR - UMA HISTÓRIA DE AMOR

Título original: Liv & Ingmar. Direção: Dheeraj Akolkar.

Gênero: Documentário (Reino Unido-Noruega-Índia/2012, 83 min.).

Classificação: Livre.

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