Literatura chega às listas telefônicas

A literatura brasileira chega ao catálogo telefônico a partir deste mês. Um convênio entre a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a TeleListas, empresa que presta esse serviço em todo o País, com exceção de São Paulo, vai incluir textos de autores consagrados, com ilustrações de artistas contemporâneos, nos 36 catálogos distribuídos em todo o País nos próximos 12 meses, num total de 28 milhões exemplares. O primeiro será lançado em Pernambuco, com o conto A Doideira, de Luiz Jardim, ilustrado por Cláudio Duarte. O de maior tiragem será o do Grande Rio, com uma história inédita de Carlos Heitor Cony, Cena com Sol e Loucura, em 2 milhões de exemplares. A escolha dos contos obedeceu ao critério regional, ou seja, cada estado lerá um autor que ali nasceu ou fez carreira. Minas terá Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado e João Alphonsus. O Rio Grande do Sul vai ler histórias dos gaúchos Carlos Nejar e Moacyr Scliar. Sergipe lerá uma narrativa de seu filho Jeol Silveira. Márcio de Souza escreveu para seu público no Amazonas. Mas há exceções. Fica difícil entender por que o alagoano Graciliano Ramos terá seu conto em Rondônia, enquanto Alagoas lerá Breno Accioly. E Minas Gerais, talvez por excesso de bons escritores, "exportou" o conto de Guimarães Rosa, mineiro, para as listas do Mato Grosso do Sul.De qualquer maneira, a iniciativa dá a estes escritores um público potencial muito maior do que os melhores best-sellers nacionais. Para se ter uma idéia, o último livro de Paulo Coelho, Onze Minutos, saiu com tiragem inicial de 200 mil exemplares. Sem dúvida é um número excelente, mas não chega aos pés, por exemplo, do público que Carlos Heitor Cony terá no Rio, 2 milhões de pessoas. "São números de sonho para qualquer escritor, brasileiro, europeu ou mesmo norte-americano", diz o acadêmico Arnaldo Niskier.

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