'Linda se desconectava nas cenas de sexo'

Entrevista com Amanda Seyfried, atriz

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 02h18

Você conhecia bem a vida de Linda?

Não. Quando o filme foi lançado eu nem era nascida. Li muito, tanto os livros dela quanto material exclusivo, entrevistas, vídeos. Minha visão de Garganta Profunda não foi nem de longe a do público da época, pois assisti já com a noção de que ela sofreu abuso e violência. Não foi definitivamente algo excitante.

A pergunta é um tanto óbvia, mas como foi rodar as cenas de sexo?

Não houve sexo de verdade obviamente, mesmo que este seja um filme sobre uma estrela pornô. Mas confesso que nos divertimos muito durante as filmagens. Como a equipe era ótima, sempre houve um clima bom. Por exemplo, para rodar as cenas de sexo oral, tive de usar um estimulante para os lábios que os deixava úmidos e inchados. Foi engraçado.

Teve algum medo ao aceitar este papel?

Meu único receio era dar vida a Linda como ela gostaria de ser retratada. Sempre estou à procura de papéis que me desafiem, que sejam interessantes. E este é incrível. Estive muito confortável com toda a equipe. Em momento nenhum tive medo da nudez ou da violência, pois estava muito protegida e bem acompanhada.

Linda sempre foi questionada sobre a veracidade de suas afirmações, inclusive sobre ter sido obrigada a fazer Garganta Profunda. Afirmou que, entre sorrir ou morrer, escolheu sorrir. Vendo o filme, você pôde perceber sinais de que ela estava atuando contra a vontade?

Acho que se percebe isso na forma como ela está desconectada das cenas de sexo. Ela parece se desligar e atuar como um robô, no automático. Além disso, ela não era muito boa atriz. Percebo o esforço que fazia para atuar. É triste saber que ela estava tão desconectada que as pessoas nem acreditam nela.

Foi inclusive submetida a polígrafo para provar se dizia a verdade.

Pois essa é outra violência que sofreu. Para mim, ela é uma sobrevivente que lutou sempre, contra o moralismo, contra a violência, contra o preconceito. / F.G.

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