Linda e loira, Zezeh vive dias de Marilyn

O Brasil está cheio de mulheres dispostas a tudo, inclusive as que não hesitam em apelar à água oxigenada para ficar com um pouco do charme e da sensualidade de Marilyn Monroe. Mas a partir de sexta-feira, a blondie mais sexy do cinema recebe homenagem de uma fã que jamais tingiria seus cabelos crespos para entrar no não tão seleto clube das loiras. A admiradora é a atriz Zezeh Barbosa, 37 anos, que estréia o monólogo Marilyn Again - Eles Preferem as Loiras.Na comédia, escrita por ela, a manicure e vendedora Maria Antonia, moradora da Cohab, sonha em vencer um concurso de beleza de um bar próximo a sua casa - o problema é que só loiras podem participar. A personagem vê seus problemas resolvidos quando uma doença de pele a deixa totalmente branca e ela se transforma em Marilyn Moura. "Mostro um lado meu e um lado da Marilyn. No teatro posso brincar de ser quem eu quiser", afirma Zezeh.A peça foi idealizada há oito anos e só em 1999, depois de vários cursos de dramaturgia, a atriz tomou coragem para começar a escrevê-la. "Depois de tanto tempo pensando nisso, eu já sabia tudo o que queria, tinha todas as idéias", lembra. Este é primeiro texto considerado "sério" pela autora, que chegou a escrever e montar uma peça infantil, em sua época de teatro amador.Colecionadora de chaveiros, filmes, bonecas e tudo que tenha a ver com o mito do cinema, Zezeh diz que Maria Antonia mostra que "toda mulher tem uma Marilyn dentro de si". A peça tem uma hora de duração e é encarada como um desafio. "Não sou uma atriz de monólogos. Não pretendo fazer muitos. É muito solitário."A peça foi escrita com a ajuda de Betina Boop, é dirigida por Ângela Barros e tem locuções de Miguel Falabella e do cantor e apresentador Netinho de Paula. Desde 96, quando viu a atriz na peça O Mambembe, dirigida por Gabriel Villela, Falabella se tornou amigo e estimulador da carreira de Zezeh. Foi em uma novela dele, Salsa e Merengue, exibida em 1997, que ela estreou na Rede Globo. Depois veio a peça As Sereias da Zona Sul, também escrita por Falabella e, há um ano e meio, ele a convidou para apresentar um quadro no Vídeo Show. "Somos amigos e posso contar com ele para tudo, mas não fico pedindo para ele me colocar em suas novelas e peças. Ele vive dizendo que me convida porque tenho talento", defende-se Zezeh.Brincando com o tabu - Há um mês, a atriz acabou de filmar Bendito Fruto, dirigido por Sérgio Goldemberg, primeiro filme em que vive a protagonista. No ano que vem, Zezeh vai fazer outro filme de Sérgio Bianchi, diretor de Cronicamente Inviável, no qual viveu a empregada Matilde. "Só posso adiantar que o elenco é basicamente negro", diz Zezeh.A atriz iniciou a carreira aos 11 anos como Negrinho do Pastoreio na peça de um grupo amador de seu irmão, no qual ficou durante oito anos. Aos 20 anos entrou para a Escola de Arte Dramática da USP, onde, segundo ela, entravam pouquíssimos negros. "Sou linda e tão boa quanto qualquer outra pessoa, por isso posso fazer uma negra que vira loira e brincar com as raízes do preconceito."Marilyn Again - Eles Preferem as Loiras. Estréia sexta. Sexta e sábado, às 21h30, domingo, às 20 h. Até 12/8. Espaço Santo Agostinho (Rua Apeninos, 79, Liberdade, tel.: 278-2588). Ingressos: R$ 15 (sexta e domingo), R$ 20 (sábado), R$ 10 (mezanino). Censura 10 anos.

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