LINCOLN ATÉ FORA DO SET

O exaustivo trabalho de criar Abraham Lincoln na tela deixou o ator Daniel Day-Lewis tão fatigado que ele não pretende interpretar nenhuma outra personalidade nos próximos anos. "É realmente difícil imaginar fazer qualquer coisa depois disso", disse ele, na entrevista coletiva, ostentando seu terceiro Oscar.

O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2013 | 02h08

O perfeccionismo de Lewis foi tamanho que, além de fazer inúmeras pesquisas sobre o personagem e a época, ele, durante as filmagens, estendia a interpretação, falando e agindo como Lincoln mesmo nos intervalos. Tal abnegação inspirava respeito no set de filmagem: todos os profissionais o tratavam como Lincoln mesmo nos intervalos e, quando em cena, nenhum rádio de comunicação era mantido ligado, um tratamento reverencial.

Seu maior desafio era não apenas apresentar o líder que mudou uma nação e influenciou o mundo para sempre, mas também o pai, o marido, o homem que era obrigado a lidar com uma esposa que aparentemente estava perturbada mentalmente por conta da perda de seu filho. Lewis queria oferecer a chance de o espectador ver esse ícone como um cara normal. "Foi um processo muito instintivo."

Irlandês, Lewis conta que sentiu um certo receio por interpretar um dos mais queridos e prestigiados presidentes da América. "No início, esse receio era paralisante. Afinal, se eu optasse pelas decisões erradas, se não fosse convincente, eu não seria capaz de mostrar a minha cara neste país novamente." A persistência estava em todos os detalhes. Como a barba, que Lewis decidiu cultivar. "Coçava muito, mas pelo menos era natural. E isso, para mim, era decisivo na composição de Lincoln." / U.B.

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