DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Lina Bo Bardi será homenageada na Bienal de Arquitetura de Veneza

Arquiteta brasileira morta em 1992 será lembrada na programação do evento que vai de sábado, 22 de maio, a 21 de novembro

AFP, AFP

12 de abril de 2021 | 14h52

Considerada o maior evento arquitetônico do mundo, a Bienal de Arquitetura de Veneza enfrenta a pandemia do coronavírus em sua edição 2021 com uma série de eventos, debates, exposições e uma homenagem à arquiteta brasileira Lina Bo Bardi, morta em 1992. O evento, que acontece a cada dois anos desde 1980, será de sábado, 22, a domingo, 21 de novembro de 2021, conforme confirmado pelos organizadores nesta segunda-feira.

A cerimônia teve de ser adiada em 2020 por conta da emergência global de saúde e, este ano, acontecerá em meio a medidas sanitárias e marcado pelo uso da Internet e das redes sociais. “Não foi um ano perdido. Os tempos mortos não são inúteis, servem aos artistas para entender, para a criatividade”, explicou o presidente da Bienal de Veneza, Roberto Cicutto, em entrevista coletiva virtual nesta segunda (12).

A 17ª edição da Bienal de Arquitetura, paradoxalmente intitulada How Will We Live Together? (Como viveremos juntos?), tem como curador o arquiteto libanês Hashim Sarkis e contará com 63 países participantes, além de uma centena de arquitetos e escritórios do mundo todo. “O confinamento nos tornou mais conscientes do que é preciso para construir um mundo e da importância da arquitetura nesse processo”, comentou Sarkis, reitor da Escola de Arquitetura e Planejamento do MIT nos Estados Unidos.

Os organizadores esperam que os participantes tenham a oportunidade de refletir sobre o tema da pandemia e da arquitetura, bem como a noção de resiliência. “É possível viver de novo juntos com a pandemia?”, questiona o curador que nos convida a pensar sobre estes tempos cruciais, que, para muitos, marcam o início de uma nova era.

No dia 22 de maio, a bienal concederá o Leão de Ouro Especial à falecida arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992). “Se há uma arquiteta que melhor personifica o tema da Bienal deste ano é Lina Bo Bardi”, sublinhou Sarkis. “É um exemplo de perseverança em tempos difíceis, sejam eles de guerra, conflito político, ou imigração, e sua capacidade de permanecer criativa, generosa e otimista em todos os momentos”, disse ele. “Em suas mãos, a arquitetura se torna uma verdadeira arte social com poder de convocação”, resumiu ao anunciar o prêmio.

A arquiteta do prestigioso Museu de Arte de São Paulo (Masp), espaço público emblemático, formada na Itália onde fundou a famosa revista Quaderni di Domus, marcou a cultura brasileira após se mudar para o país em 1946. Aqui, cultivou todas as artes, valorizando a vanguarda estética e a tradição popular.

Devido à emergência sanitária, a 59ª Mostra Internacional de Arte, a cargo da curadora Cecilia Alemani, que deveria ser realizada em 2021, foi adiada para 2022, com duração de 7 meses. Está prevista para acontecer de 23 de abril a 27 de novembro. Os organizadores confirmaram, em vez disso, a realização do Festival de Cinema de Veneza, de 1º a 11 de setembro, dirigido pelo crítico Alberto Barbera.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.