HÉLVIO ROMERO / ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO / ESTADÃO

Lima Duarte é homenageado em fórum realizado pelo 'Estado'

Em parceria com a Faap, evento debateu cenário de incentivos e patrocínios culturais no País

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 16h04

O impacto das políticas de incentivo e o patrocínio cultural no Brasil foram tema do debate do fórum Cultura 2 em 1, realizado nesta terça, 3, iniciativa conjunta do Estado e da Faap.

Participaram o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, a professora da Faap Luciana Rodrigues e o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, com mediação do editor do Caderno 2, Ubiratan Brasil.

Entre os temas abordados, Luciana contextualizou o cenário do audiovisual no País. “Desde Getúlio Vargas sempre houve incentivo para o setor. O mesmo não aconteceu com a criação de um mercado desse segmento.” Ela explica que o panorama está sujeito às mudanças repentinas nas leis. “Todo dia é um plot twist”, disse ela em relação ao recente afastamento do diretor do Ancine, Christian de Castro Oliveira. “Apesar dos percalços, o cinema brasileiro vem sendo considerado no mundo. É preciso respeitar o que conquistamos até agora e nos deixar trabalhar.”

Debate urgente é a atual situação do Sistema S. No fim do mês, o governo federal fez acordo para reduzir em 20% a contribuição da folha de pagamento, cerca de R$ 4, 5 bilhões. Para Miranda, os cortes se justificariam se o sistema não estivesse entregando seus serviços. “Cortar para quê? Não está cumprindo o papel? Se cortou 20% por que não cortou tudo? Acredito que sem educação e cultura não há economia para salvar este País”, defendeu. 

Para o diretor do Itaú Cultural, a cultura e arte no Brasil precisam avançar além do antigo debate da democratização. “Antes nós pensávamos em dar acesso a todos. Hoje, trata-se da participação na vida cultural. A indústria automobilística, por exemplo, recebe mais incentivos que o segmento cultural, cerca de 7 bilhões da indústria automobilística contra 4,5% do PIB. Na cultura, é 1,3 bilhões contra 2,6 do PIB. Então, em números absolutos, o da automobilística é maior, mas proporcionalmente o da cultura é maior. Cultura não é nem custo, nem investimento. É a saída”, comentou.

Na segunda parte do evento, o editor do Caderno 2, Ubiratan Brasil, revisitou a trajetória de Lima Duarte, ao lado do ator. Perto de completar 90 anos, o intérprete de personagens como Zeca Diabo, de O Bem-Amado, Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro relembrou sua carreira. “Em 1950, em setembro, foi feita a primeira transmissão de TV na América do Sul. Eu estava lá. Vi a televisão nascer e agora estou vendo ela morrer.” Ao fim, o ator transmitiu para o público seu novo trabalho, o curta De Volta para Casa, de Diego Freitas, sobre um marceneiro aposentado. “Como ator tentei ser mais que um velhinho, mas fazer a própria velhice.”

Assista ao trailer de 'De Volta para Casa':

 

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