Lima Duarte: 80 anos, 32 filmes, 56 novelas...

Lima Duarte: 80 anos, 32 filmes, 56 novelas...

É amanhã que o mineiro Ariclenes Venâncio Martins festeja seu aniversário, novos personagens e projetos

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

"Voz de sovaco", avaliou o diretor artístico da Rádio Tupi, de São Paulo, quando ouviu o candidato a locutor Ariclenes Venâncio Martins. Era 1946 e o rapaz de 16 anos só não voltou para Minas Gerais porque um comovido técnico de som o convidou a trabalhar como operador. "Eu chegava às 5 horas da manhã para ligar as válvulas e, quando elas estavam quentes, a emissora entrava no ar", diverte-se Lima Duarte, o tal candidato que, graças ao interesse de Oduvaldo Viana, logo iniciou uma conhecida carreira artística.

Afinal, quando completar 80 anos amanhã, Lima (o pseudônimo foi sugerido pela mãe, espírita, a partir de seu guia de luz) poderá se orgulhar da 56 novelas das quais participou como ator ou diretor, além de 32 filmes. "E tenho outros cinco em produção ou prestes para lançar", orgulha-se ele, que logo viajará para Portugal, onde vai rodar apenas uma cena de Olhos Vermelhos, novo longa de Paulo Rocha. "É uma pequena participação, mas será como uma homenagem."

De lá, o ator pretende seguir para Paris, onde poderá comemorar novamente o aniversário - amanhã, ficará em seu sítio, no interior de São Paulo. Apesar de ser mais conhecido por personagens de novela como Salviano Lisboa (Pecado Capital), Zeca Diabo (O Bem-Amado) e Sinhozinho Malta (Roque Santeiro), Lima acredita que o trabalho mais aprofundado só encontra espaço no cinema. "É nos filmes que consigo captar o lado mais obscuro de cada personagem."

Se fosse possível apontar apenas um exemplo, bastaria Sargento Getúlio, dirigido por Hermano Pena em 1978 (e lançado em 1983), inspirado no texto de João Ubaldo Ribeiro. Lima vive o rude sargento da PM de Sergipe encarregado, no final dos anos 1940, de acompanhar um preso político inimigo de seu chefe. Durante a viagem, ele discute com o prisioneiro e, mesmo que uma mudança na conjuntura política o obrigue a libertá-lo, Getúlio decide cumprir sua missão até o fim, transformando a remoção no principal sentido de sua existência.

Peteca. É na tela pequena, porém, que Lima Duarte mantém um contato mais constante - aliás, desde seu nascedouro, em 1950. "A chegada da TV acabou com nossa quadra de peteca", diverte-se. "Eu, a Hebe Camargo e outros artistas do rádio costumávamos brincar naquele espaço, no Sumaré, quando a ocuparam para montar o primeiro estúdio de TV do Brasil."

Lá, ele participou de sua primeira telenovela, Sua Vida me Pertence, em 1951, iniciando um parceria que parece infinita. "Quando me lembro desses momentos, me vem uma frase de Santo Agostinho, que dizia: "A memória é a morada da alma.""

E, aos 80 anos, continuam as descobertas. Como participar de um filme com história espírita, A Vida Continua, dirigida pelo ator Paulo Figueiredo. "São 7 milhões de espíritas no Brasil, um público muito atento aos assuntos que lhe interessam."

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