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Líder do grupo System of a Down, cantor Serj Tankian lança o disco 'Harakiri'

Músico de origem armênia conversa com o 'Estado' sobre o novo trabalho e a devastação ambiental

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2012 | 03h09

Poucos vocalistas de heavy metal têm o prestígio de Serj Tankian hoje em dia. De origem armênia, o cantor nasceu no Líbano, em 1967, durante exílio de sua família. Aos 7 anos, estabeleceu-se em Los Angeles, e com colegas de escola (também de origem armênia) criou há 17 anos o grupo System of a Down, que junto ao Rage Against the Machine e o Queens of Stone Age, reinventou o heavy metal.

Combinou o metal pesado com a música do Leste da Europa, o hip-hop, a música dodecafônica, árias operísticas. E o público adorou. Seu show no Rock in Rio, no ano passado, foi uma unanimidade de público e crítica. 2011, por sinal, foi ultraprodutivo na vida do artista: ele lançou quatro álbuns diferentes: um de jazz, chamado Jazz-iz Christ; um orquestral, chamado ORCA, sua primeira sinfônica clássica; um disco eletrônico, Fuktronic, em colaboração com Jimmy Urine (da banda Mindless Self Indulgence) para o cantor; e este Harakiri (lançamento Warner Music, que chega às lojas do mundo todo no dia 12).

Tankian falou ao Estado por telefone. Contou que tem intenção de vir ao Brasil com o projeto ORCA, para tocar com orquestras de São Paulo e Rio de Janeiro. Harakiri foi gravado em seu estúdio caseiro em Los Angeles, com Dan Monti na guitarra, Mario Pagliarulo no baixo e Troy Zeigler na bateria. O engenheiro Vlado Meller (do Metallica e do Red Hot Chili Peppers) mixou.

Você fez um discurso muito contundente a respeito de ecologia durante o show do System of a Down no Rock in Rio. O que sabe sobre os problemas ambientais do Brasil?

Não sei muito sobre questões indígenas no seu País, mas conheço a realidade da devastação ambiental. Mencionei os índios porque tenho grande respeito pelos povos ancestrais no mundo todo. Eles guardam os segredos do nosso passado, os segredos da nossa sobrevivência. Quando alguém destrói uma floresta, afeta o mundo todo. Não dá mais para fingir que não nos importamos com esse jogo econômico. Sei o potencial de destruição que têm os mineiros agindo na floresta. Isso afeta as águas do mundo, afeta um sistema que é todo interligado. Mas também conheço as complexidades de cada situação. Não quis me meter, apenas manifestar minha preocupação.

Bom, uma questão sobre música agora. Ouvindo seu novo disco, tive a impressão que é difícil discerni-lo de um disco da sua banda, System of a Down. Há muita coisa em comum. Estou errado?

Tenho por política admitir que toda impressão é correta, porque é uma leitura pessoal. Mas não concordo totalmente com isso. O disco é mais punk rock e eu estou nele, então pode sugerir semelhança. Qualquer música que me tenha como vocalista, que tenha guitarras e certa velocidade de execução pode ser confundida com uma música do System of a Down. Mas há algumas músicas nesse disco, como Ching Chime e Reality TV, que não combinam com o repertório do System of a Down, são de outra natureza.

Você demonstra interesse em poesia sufi, em ópera, música sinfônica. E em heavy metal. Seria correto dizer que faz isso porque o heavy metal permite uma socialização maior da sua arte?

O heavy metal é poderoso, é real, tem grande capacidade de comunicação. Mas cada expressão tem sua força. O jazz é intimista, mas também pode ser devastador e violento. Mas você tem razão, o rock pesado é mais direto, pode fazer uma ligação lírica mais imediata com um público. Entretanto, não faço heavy metal por isso, faço porque o considero tão legítimo e sofisticado quanto qualquer outra linguagem artística.

Há uma música no seu disco, Butterfly, que remete à ópera de Puccini. Que, por coincidência, também trata do suicídio ritual.

Não tinha pensado nisso. É mais uma música relacionada às fragilidades do equilíbrio no planeta. É maravilhoso isso que você levanta. É parte da beleza de se fazer música, você faz algo e nunca sabe direito quais são as referências que vão se acumulando naquilo, e como ela vai soar em diferentes locais. Harakiri é sobre essa força de destruição que devasta nosso mundo. Quando adquire significado, mostra a beleza da poesia e da música.

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