Lições para não esquecer

Pela primeira vez, agência lendária inclui País em seu roteiro com oficinas e palestra

Simonetta Persichetti, Especial para O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2014 | 02h09

Pela primeira vez, a Magnum Photos inclui o Brasil em seu roteiro e realiza workshops e palestra em fevereiro, em São Paulo. Vários profissionais da agência já estiveram no País, onde fizeram exposições e ministraram cursos, tanto em festivais de fotografia, como em escolas ou estúdios, mas agora é diferente. A exemplo de outras empresas, ela também resolveu ampliar suas possibilidades, oferecendo oficinas e parcerias com universidades pelo mundo.

A lendária agência de fotojornalismo foi criada no fim dos anos 1940, mais precisamente, em 1947, em Paris, por Robert Capa, Henry Cartier-Bresson, David Seymour e George Rodger. A proposta era valorizar o trabalho do repórter fotográfico, criar imagens mais autorais e desenvolver reportagens visuais além das pautas estabelecidas dentro de jornais e revistas. É esse o objetivo das oficinas que serão ministradas aqui.

A vinda ao País não é mero acaso: "Os últimos acontecimentos, como as manifestações de protesto que reuniram milhares de brasileiros, a aproximação da Copa do Mundo e um fotojornalismo forte nos levaram a pensar no Brasil", escreve por e-mail Clara Murray, consultora de projetos culturais da Magnum.

Em São Paulo, o espaço escolhido foi a Doc Galeria, criada por Fernando Costa Netto e Monica Maia e dedicada ao fotojornalismo: "Temos dois anos de vida e já fizemos nossa entrada no mercado internacional com a venda e distribuição de imagens e terminamos 2013 com esse convite da Magnum", relata Fernando Costa Netto.

"Chegamos até a Doc por intermédio do Fotoprotesto, um movimento sério que reúne 30 fotógrafos que se juntaram para ocupar muros da cidade e revelar a realidade do País", explica Clara. A galeria é organizadora dessas intervenções que têm ocupado o muro do Cemitério do Araçá, em São Paulo. Além disso, a Doc também é responsáveis pela Mostra SP de Fotografia, que todo ano expõe em galerias, lojas e muros da Vila Madalena. "Adoramos o projeto deles e estamos felizes com essa parceria e de poder participar da Mostra SP", afirma Clara.

Os workshops vão ocorrer de 17 a 21 de fevereiro, com aulas teóricas e práticas dadas por dois profissionais de gerações diferentes, que virão a SP e são bastante influentes no fotojornalismo: o iraniano Abbas, 70 anos, desde 1970 tem se dedicado a documentar as sociedades em conflito. Cobriu guerras e revoluções em Bangladesh, Irlanda do Norte, Vietnã, Oriente Médio, Chile, Cuba, África do Sul. Moises Saman, nascido em Lima, 40 anos - fortemente influenciado pela cobertura fotojornalística das guerras nos Bálcãs -, mudou para o Cairo em 2011 e passou a registrar a explosão de violência nas ruas da capital do Egito. No total, são 12 vagas por oficina e as inscrições devem ser feitas no site da Magnum, até o dia 27. A seleção será realizada pela própria agência, em Paris. Realizados no Espaço Revista Cult, os workshops terminarão com uma projeção pública, em frente à Doc Galeria, das obras criadas nos cinco dias de curso.

A programação, que faz parte da 5.ª Mostra SP de Fotografia, também inclui uma palestra dos fotógrafos, no dia 22 de fevereiro, no MAM-SP.

"Como todas nossas atividades pedagógicas, esperamos que esse encontro seja um momento de troca de experiências e uma oportunidade para profissionais, estudantes ou amadores entrarem em contato com os fotógrafos da Magnum que estarão à disposição para discutir a evolução de seus projetos", acrescenta Clara Murray.

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