Lições de amizade dos Muppets

O roteirista Jason Segel diz que essa turma lhe ensinou tudo o que sabe sobre a vida

LUIZ CARLOS MERTEN, LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h07

Jason Segel diz que tudo que precisava saber sobre a vida e o cinema aprendeu com Judd Apatow e... os Muppets. Jason você sabe quem é. Recentemente, ele fez o professor de educação física que roubava Cameron Diaz de Justin Timberlake em Uma Professora Sem Classe. As mulheres querem fisgar Jason Segel, os homens o consideram um chapa e admiram porque ele assume que é sentimental. Aos 12 anos, já com quase 1m80, Segel colecionava bonecos. Tudo começou com a mãe. "Ela era o tipo de pessoa que gravava os programas dos Muppets quando eu era bebê, para que os visse quando adulto. Foi minha mãe quem me apresentou a Harold e Maude, Ensina-me a Viver, de Hal Ashby", resume Segel. Aos 31, ele realiza um sonho e ressuscita Caco, Miss Piggy e os demais Muppets.

Os Muppets, que estreia sexta, encerra um processo que durou cerca de seis anos. Não foi exatamente o roteiro que demorou tudo isso para ser escrito. Segel bateu em muitas portas, ouvindo sempre a mesma coisa. "Os Muppets já eram. Morreram com seu criador, Jim Henson." O último filme, de 1999, Os Muppets no Espaço, havia sido um fracasso. Mas ele insistia. O roteiro foi coescrito por Nicholas Stoller. Nenhum dos dois tinha experiência em comédias familiares. Faziam mais o gênero X-Rated (para adultos). "O curioso é que escrever para os Muppets foi como escrever sobre gente", ele avalia. Para trazer os bonecos de volta, Segel criou um humanoide, seu irmão Walter. É ele quem reúne o grupo disperso, mas, para que isso ocorra, Segel e sua namorada Amy Adams precisam ir a Los Angeles. Ela pensa que é para comemorar o aniversário de namoro dos dois, mas é para que Walter bata na casa de Kermit, o Caco.

James Bobin, que assina a direção, jura que, se tivessem lhe dito há dez anos que ele ainda faria um filme sobre os Muppets, sua reação teria sido de perplexidade. "Eu? Mas nem sou fã", ele diria. Mas o roteiro terminou por seduzi-lo. "Os Muppets andam na contracorrente do mundo atual. E os desafios eram todos estimulantes. Jason escreveu o roteiro para uma aventura tradicional. Números musicais, nada de paródia." Os Muppets voltam, mas precisam arranjar dinheiro rapidamente para impedir que seu teatro e a própria marca caiam nas mãos do vilão Tex Richman (vivido por Chris Cooper). Isso era só parte do desafio. O restante era a própria filmagem. "Usamos marionetes, com seus manipuladores. Hoje em dia, todos os efeitos são feitos com motion capture (a captura de movimento). Com ela, pode-se fazer tudo. Com as marionetes, a filmagem fica mais limitada, para não mostrar os manipuladores."

É um efeito surreal. As entrevistas de Os Muppets realizam-se num hotel de Los Angeles. Entram os três manipuladores, cada um carregando seu boneco - Caco, Miss Piggy e Walter. Os caras vestem-se normalmente, não tentam se apagar, mas desaparecem naturalmente. Não demora muito e você fala com o trio de muppets, só tem olhos para eles. Como é estar de volta, Caco? "Nunca saímos de cena completamente. Nestes 12 anos continuamos com nossas atividades, fazendo shows, gravando."

O que melhor define os Muppets? "É a amizade, a fraternidade." Walter faz sinal de quem concorda com a cabeça. "É inacreditável para mim. De um simples fã dos Muppets passei a ser um deles. É a prova de que o sonho é possível." Miss Piggy segue sendo a estrela inconfundível do grupo. O que ela pensa disso? "Moi? É preciso superar os ressentimentos. Estar juntos de novo é muito gratificante."

James Cameron diz que a imaginação é o limite do cinema atual. Segel discorda. "A cena da explosão não pôde ser filmada como estava no roteiro. Havia o problema do custo e também do ângulo de como mostrar os Muppets." Nenhum desses problemas chegou a ser desestimulante, apenas complicaram o que já estava sendo difícil. E agora? "Temos feito algumas sessões, para público e jornalistas, e elas têm sido boas. Há toda uma geração que não conhece os Muppets. É preciso apresentá-los de novo, e Walter faz isso. Mas existem os fãs antigos, e o reencontro carrega um pouco de nostalgia. O negócio é equilibrar as coisas para tentar fazer o crossover (atingir todos os públicos)."

No que a convivência com Judd Apatow, o novo mestre das comédias românticas, ajudou a compor a história e os personagens de Os Muppets? "Judd acredita no diálogo vivo e nos atores. Nós elaboramos os diálogos como se fossem ditos por humanos, e não bonecos. Aliás, os manipuladores dos Muppets são mais - verdadeiros atores. O que eles criam de voz e movimento para os bonecos não está no gibi. São ótimos."

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