Liberdade e Poesia

Mostra oferece visão ampla da criação de Humberto e Fernando Campana

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2011 | 00h00

Inaugurada em 2009 pelo museu Vitra Design de Weil am Rheim, na Alemanha, a mostra Anticorpos, retrospectiva itinerante da produção dos irmãos designers Humberto e Fernando Campana, chega agora ao Brasil. Hoje a exposição será aberta para convidados - e, amanhã, para o público - no Museu Vale, em Vila Velha (Espírito Santo), apresentando mais de 200 obras criadas pela dupla desde a década de 1980 até hoje. Mas em 2012, garante Humberto Campana, a exposição vai fazer também seu tour por São Paulo, Rio e Brasília, nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil, permitindo ao público brasileiro ter uma visão completa sobre a produção dos famosos designers, nascidos em Brotas, no interior de São Paulo.

O ano de 1998 foi, como conta Humberto, "o divisor de águas" na carreira da dupla. A marca italiana Edra escolheu fazer produção em série da cadeira Vermelha, criada em 1993 com cordas de algodão tingidas. O fato tornou a obra conhecida internacionalmente e teve ainda como consequência a aquisição da peça pelo MoMA (Museum of Modern Art) de Nova York. A partir daí, a produção dos irmãos Campana tomou uma proporção diferente, internacional. "Estamos num momento de maturidade", diz Humberto. "Sinto que o trabalho está mais intuitivo."

Mas como a exposição tem como mote enfatizar o método de criação dos Campana, Anticorpos não é apenas um mostruário das peças conhecidas dos designers. Por exemplo, conta Humberto, são exibidos até objetos pessoais dos irmãos, como uma Nossa Senhora quebrada e colada que ele ganhou de seu pai, aos 10 anos.

"Juntos, eles ignoram todas as convenções do design tradicional, brincam com a noção de funcionalidade e formam seus objetos poéticos a partir de realidades contraditórias", afirma o alemão Mathias Schwartz-Clauss, curador da exposição e do museu Vitra, que preparou a mostra, já exibida na Alemanha e em outros países da Europa.

Nas obras reunidas na exposição - entre elas, claro, a cadeira Vermelha -, vê-se a remissão ao fazer particular dos Campana, o de conjugar o artesanal a uma escolha de materiais inusitados e novos - ou que se subvertem ao serem usados em peças de design (bichos de pelúcia, tapetinhos de banheiro, papelão, restos de cristais de Murano e papel mas também ferro e alumínio). Já a madeira, clássica, não é corriqueira na produção dos designers, mas foi usada, em fragmentos, como palitos de sorvete, na famosa poltrona Favela (1991), que potencializa a "poética da gambiarra" brasileira.

O sucesso dos Campana inclui, ainda, a capacidade de ter levado o fazer artesanal - "arraigado no brasileiro", diz Humberto, capaz de "humanizar" o design - à escala industrial por empresas como Edra, Alessi e Grendene (eles criaram a famosa sapatilha Melissa para a marca).

Anticorpos está dividida em nove temas (leia abaixo). A itinerância, por cinco anos, da mostra ainda prevê passagens por países da América do Sul e Ásia.

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