Liberdade é o palco do novo livro de Tony Bellotto

O escritor e músico Tony Bellotto lança hoje mais uma aventura de seu personagem, o detetive Remo Bellini, em São Paulo, com Bellini e os Espíritos (Companhia das Letras), às 18h30, na Siciliano do Shopping Pátio Higienópolis. Além da presença do escritor, haverá ainda uma apresentação musical de Theo Werneck e Didilibou. Bellotto elegeu São Paulo como palco das ações de Bellini assim como Los Angeles é a terra de Phillip Marlowe e Barcelona, a de Pepe Carvalho: para ele, é preciso uma identificação do detetive com o lugar onde atua. "A realidade urbana determina o comportamento do herói", acredita. E, depois de Bellini e a Esfinge (1995), levado ao cinema com Fábio Assumpção, e Bellini e o Demônio (98), a nova aventura do detetive se passa no bairro da Liberdade, onde atua a máfia chinesa. No início de Bellini e os Espíritos, o detetive interrompe suas férias em Porto Seguro e volta para São Paulo, onde um misterioso envelope é deixado sob a porta da Agência Lobo de Detetives. Dentro dele, US$ 5 mil e a denúncia do assassinato de um advogado, durante a corrida de São Silvestre. A descrição do crime, aliás, logo na primeira página, tem um ritmo cinematográfico, ao estilo Hitchcock, em que o leitor está à frente das investigações por saber mais detalhes que o próprio detetive. "Gosto desse jogo, pois o segredo de um bom policial está na engenharia da surpresa", diz Bellotto que, curiosamente, escreveu quase todo o romance no Rio, onde agora vive. Com isso, a recriação de São Paulo tem um certo tom de nostalgia, pois é a cidade que o escritor conheceu bem há dez anos. "Claro que, antes de dar o ponto final na história, percorri os locais para me certificar de que não mudaram muito", diz ele, que se interessou pelo tema da máfia chinesa ao ler uma notícia de jornal. Das três aventuras de Remo Bellini, esta é a que mais agrada seu criador, justamente por exibir uma técnica mais apurada e, ao contrário dos antecessores, uma boa costura com reflexões fora da trama. Bellotto confessa que temia não ter inspiração para escrever, pois, depois de duas aventuras, o detetive Bellini poderia ter se esgotado em sua imaginação. "Gosto de fazer um roteiro prévio do que será a história e isso só surge depois que eu descubro as estruturas básicas do enredo." Bellini e os Espíritos - De Tony Bellotto. Companhia das Letras. 261 pág. R$ 35,50. Siciliano/Shopping Pátio Higienópolis. Av. Higienópolis, 618, 3823-2669

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.