Letrinhas ao gosto da garotada

A literatura infantil é um filãosempre bem explorado pelas editoras que, nesta edição da Bienal,investem na variedade de lançamentos. Uma injeção de ânimo nomercado que em 2001 apresentou uma queda de 16% no número detítulos lançados e 21% em exemplares produzidos, em relação a2000. A aposta para atrair o público mirim está nos grandesautores como Ziraldo, Ana Maria Machado, Flávio de Souza, EvaFunari, Pedro Bandeira, Drauzio Varella entre outras figuras dedestaque. Ziraldo faz a festa: O Segredo de Mãe Docelina,publicado pela Moderna, apresenta a maior quituteira da regiãoda Mata do Fundão, uma mulher hábil, que domina a culinária e osmistérios do tempo. Também do autor mineiro chega às mãos dosleitores, pela Melhoramentos, Menina Nina - Duas Razões paranão Chorar, um livro que fala sobre a difícil arte de viver, eO Livro de Receitas do Menino Maluquinho com as Receitas daTia Emma, uma prova de que a cozinha também é um lugar paracrianças. A Banguelinha (Moderna) é um conto de fadas urbanoque se passa em um edifício de cinco andares. Trata-se de umahistória fantástica, com direito a aparição de anjos e animais,assinada por Angela Lago, que ainda lança, pela Companhia dasLetrinhas, Sete Histórias para Sacudir o Esqueleto. Ana Maria Machado ensina os adultos a necessidade derespeitar o mundo mágico do faz-de-conta que povoa a imaginaçãoinfantil em Um Dia de Chuva (Moderna). Já em O Canto daPraça (Ática), a escritora incentiva a paz, um assunto muitoatual. O destaque à atualidade ainda pode ser percebido emMohamed - O Menino e a Guerra (FTD), de Fernando Vaz. Oautor faz uma viagem pelo Afeganistão e narra a vida e costumesdos meninos nesse país. Temas universais, que podem ser tratados no cotidianodas escolas, como justiça e solidariedade, compõem a coleçãoBobos da Corte, da editora Moderna. Eva Furnari escrevesobre ética com muito humor e descontração. A autora utiliza ocenário dos contos de fadas para discutir de maneira simbólica,sem reducionismo, esses assuntos. Autores de gente grande também marcam presença nestaBienal escrevendo para o público infantil. Drauzio Varelladescreve a experiência de um garoto que vive no bairro do Brás,em São Paulo, e passa férias na fazenda em De Braços para oAlto (Companhia das Letrinhas). Os Encontros de um Caracol Aventureiro (Ática), dopoeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca, reúne poemasselecionados pelo falecido poeta e ensaísta José Paulo Paes. As obras são acessíveis àscrianças e as ilustrações de Odilon Moraes tornam-se um atrativoa mais para os leitores, que ainda têm uma supresa: o texto dapeça de teatro Cena do Tenente-Coronel da Guarda Civil. O jornalista Gilberto Dimenstein conta a história deRenato Paulo, o Rep, um garoto criativo que gostava de misturarobjetos com comida, brinquedo com doces, tudo o que vê pelafrente para criar coisas novas e diferentes em O Mundo deRep (Melhoramentos). E Ferreira Gullar, que concorre ao PrêmioJabuti com O Menino e o Arco-Íris (Ática), também é uma boadica. História Gáticas (FTD) apresenta o mundo dos gatoscriado pelo antropólogo Darcy Ribeiro. O gato Oracy Félix contaaos leitores casos curiosos sobre o Largo da Lataria. Asilustrações levam a assinatura de Patricia Gwinner. Lendas e "causos" da Amazônia foram coletados poreducadores coordenados pela professora de literatura infantil daUniversidade do Estado do Pará Denyse Cantuária. As históriasvieram da memória dos habitantes de vilas e povoados próximos àsmargens do Rio Moju. "Transcrevemos o material que foi gravadoem fitas cassetes e encaminhamos para escritores fazerem umareleitura das lendas", explica Denyse. A proposta é divulgar ofolclore e a cultura da região, aspectos pouco conhecidos noBrasil. Assim nasceu Histórias do Rio Moju, uma coleçãocomposta por seis volumes, que será lançada no dia 3, no standda FTD. O jornalista Denis Maués também assina a coordenação.

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