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Letras Organizadas

Autores juvenis, como Eva Furnari, seguem tendência de mercado e reúnem obra em uma única editora

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

O movimento pela casa própria parece dominar aos poucos o mercado do livro infanto-juvenil. Em maio de 2009, quando completou 40 anos de carreira, Ruth Rocha comemorou concentrando a edição de toda a sua obra (mais de 130 livros) em apenas uma editora, a Salamandra. Em setembro do mesmo ano, foi a vez de outro best-seller, Pedro Bandeira, anunciar que seus quase 80 livros estariam reunidos sob a mesma chancela, a editora Moderna. Agora é a vez de Eva Furnari, que assinou contrato com a mesma Moderna para reunir seus 60 livros. E, no início do mês, Ana Maria Machado acertou um contrato com a editora Objetiva/Alfaguara. Ainda não é para a obra completa, mas para 19 volumes, sendo 16 de catálogo da autora e três inéditos.

"É muito mais fácil controlar distribuição e direitos autorais quando se está em apenas uma editora", comenta Eva, cuja chegada à nova casa editorial foi motivo de festa no Museu de Arte Moderna - ela completava também 30 anos de carreira.

Trata-se de um mercado em constante expansão. Segundo a recente Pesquisa de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe) a pedido da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional dos Editores do Livro, as literaturas infantil e juvenil são responsáveis por quase 15% da produção de obras no Brasil, somando mais de 55 milhões de exemplares produzidos por ano.

Cifras que explicam os rentáveis contratos oferecidos aos escritores. "Sempre tive um ótimo relacionamento com todas as minhas editoras, mas não pude recusar a oferta da Moderna, realmente muito convincente", conta Pedro Bandeira, lembrando de um detalhe curioso: por enquanto, nenhum escritor é exclusivo de alguma casa editorial. "Todos temos ainda contratos vigentes, alguns de até dez anos, como é meu caso." A situação de Ana Maria Machado é diferente: ela não concentrou toda a sua obra na Objetiva. Dos 19 livros acertados, os títulos juvenis serão publicados pelo selo Objetiva e os de literatura adulta, pelo Alfaguara. Os primeiros trabalhos na nova casa - até então a obra adulta de Ana Maria estava toda reunida na Nova Fronteira - serão publicados no primeiro semestre de 2011.

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