Letícia Colin faz 3ª versão de 'Bonitinha, mas Ordinária'

Nos 60, nos 80 e agora nos 2000. A cada 20 anos, o cinema brasileiro faz a revisão de Bonitinha, mas Ordinária. A peça famosa de Nelson Rodrigues foi filmada por J.P. Carvalho com Lia Rossi em 1964 e por Braz Chediak com Lucélia Santos em 1981. Moacyr Góes roda atualmente a terceira versão no Rio, com produção de Diler Trindade. O filme assinala a parceria da Diler com a empresa produtora e distribuidora Califórnia. João Miguel e Leandra Leal interpretam Edgard e Ritinha. Letícia Colin é Maria Cecília, a bonitinha.Na melhor cena da versão de Braz Chediak, a mãe lava a cabeça de Edgard (José Wilker) enquanto conversam sobre a tentadora oferta. Edgard ama Ritinha, mas está sendo cooptado - o valor do cheque é tentador - a casar-se com Maria Cecília, vítima de estupro. A garota de boa família foi currada por cinco ''negrões'' - com o perdão do preconceito, mas é para ser fiel ao texto -, um dos quais, o líder do grupo, chama-se Cadelão. Edgard hesita em aceitar o casamento (e o cheque). A mãe lhe diz - "Baixa a cabeça". Ela está pedindo ao filho que baixe a cabeça porque quer enxaguar seus cabelos, retirando o excesso de espuma. Mas este ''baixa a cabeça'' tem outro significado, metafórico, como se dissesse: "Aceite, não seja bobo."A cena não foi uma invenção de Braz Chediak. Ela está no texto de Nelson Rodrigues - e estará na versão de Moacyr Góes. o diretor já montou a peça no teatro e, se agora a verte para o cinema, é porque pretende fazer um comentário sobre o Brasil atual. "A discussão da ética é o mais importante", conta ele num intervalo da filmagem no bairro de Laranjeiras, no Rio. Ousado ele será, com sua vontade de usar um texto do começo dos anos 60 para discutir o Brasil dos anos 2000. "Edgard vive o mesmo dilema de milhões de brasileiros. Precisa mostrar a si mesmo que é honesto, num País habitado por Peixotos (NR - cunhado de Maria Cecília, que lhe oferece o cheque vultoso). A construção da ética é um tema fundamental no Brasil de hoje", avalia o diretor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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