Leque grande demais faz vento sem direção

Já é hora de acabar com essa história de samba de bamba de um lado, samba rock de outro. Aos sambistas de berço, é como se seu primo mais festeiro fosse um preguiçoso a andar sempre pelos caminhos mais fáceis, um populista mais preocupado em fazer dançar do que refletir. Paula Lima (foto) surgiu nos anos 90 em São Paulo como uma promessa que daria status novo aos sambas roqueiros, com uma qualidade de samba pop rara e uma postura vocal de diva norte-americana. Com mudanças de gravadora, de cidade (ela foi para o Rio de Janeiro) e de foco, nem tudo em sua carreira deslanchou. E a promessa não se concretizou. Seu novo disco não é uma redenção neste sentido e não reflete preocupação de Paula em voltar sua mira ao samba soul (ou samba rock) que a fez feliz. Quando abre o leque sobre o universo que Sandra de Sá chama de Música Preta Brasileira, Paula pode ganhar em possibilidades mas perde em identidade. Seu disco tem ainda um show de lançamento hoje, no Auditório Ibirapuera (tel. 3629-1075 ). Fazer dançar, contudo, é a boa característica que ela não perde.

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