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Lenora de Barros exibe vídeo e as colunas que publicou no 'Jornal da Tarde'

A exposição 'Umas e Outras' pode ser vista a partir de sábado, no Pivô

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2014 | 22h00

Poemas visuais, performances fotográficas são, como diz a artista Lenora de Barros, as criações que fazia na década de 1990 em sua coluna ... Umas, publicada aos sábados no Jornal da Tarde. A obra, semanalmente diagramada e escrita por ela, tinha tudo de experimental – o formato, vertical, uma “tripa de cima para baixo”; o espaço, livre para ser puramente artístico entre as notícias de um veículo de comunicação; os temas, os mais diversos, como “formas capilares” ou “espelhar-se” (muitos deles, encontrados “duchampianamente”, ao acaso). “É curioso, mas nunca recebi uma carta de leitor. Pensava comigo: Para quem estou falando?”, conta Lenora, que inaugura, neste sábado, a mostra Umas e Outras, no Pivô, na qual exibe 65 colunas originais, vídeos, livro e obra sonora.

É divertido percorrer os olhos pelos trabalhos que a artista criou entre 1993 e 1996 para o JT. Emolduradas, dispostas lado a lado, as colunas têm humor, são conceituais, brincam com a linguagem, apresentam o repertório de Lenora de Barros, criadora de uma obra que além da pesquisa “verbivocuvisual” (expressão dos concretistas para falar da filha de Geraldo de Barros), “guarda relações com a arte pop, com o grupo Fluxus, com o neoconcretismo”, como escreveu Glória Ferreira, curadora da mostra que apresentou no ano passado, na Galeria Laura Alvim do Rio, essas criações da artista.

Menções a John Cage, a Magritte estão nas obras, que também já foram exibidas (14 delas) na Bienal de Lyon, na França, em 2011. Mas há também criações inspiradas em notícias, como a coluna da semana da chacina dos meninos na Candelária, no Rio, na qual a artista aparece com um spray na mão, “xodor” (Rodox, invertido), “para espantar a tristeza toda”.

Questões recorrentes no trabalho da criadora – seja em vídeo, performance, escrita ou som –, como a do olhar, “do ver”, e a da duplicidade, ela enumera, estavam constantemente presentes na coluna ... Umas. Dessa experiência da era “pré-blog”, conta ainda a artista, derivaram obras posteriores. “Foi um momento fundamental do meu trabalho”, diz Lenora de Barros, que tem projeto de fazer um livro com a totalidade do que publicou na época.

A exposição ainda traz os vídeos Jogo de Damas e Em Si as Mesmas – neste último, a artista joga partidas de damas consigo mesma e o título da obra é tirado de uma fotografia de irmãs xifópagas publicada em uma de suas colunas. “Duplicar imagens é multiplicar ou dividir ideias?” é dito, também, em obra sonora da mostra.

UMAS E OUTRAS

Pivô. Edifício Copan. Avenida Ipiranga, 200, loja 54, tel. 3255-8703.

3ª a 6ª, 13 h/ 20 h; sáb., 13 h/ 19 h. Grátis. Até 17/5.

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