Lembra do Vigilante Carlos? Ele voltou

Fãs de seriados - sobretudo os nascidos a partir da década de 1980 -, agora não precisam mais soltar a clássica desculpa "não era da minha época", se o assunto for O Vigilante Rodoviário. Na roda de conversa com os mais velhos, os jovens telespectadores podem até se exibir um pouco e contar que o Sesc Ipiranga programou sessões para os dias 13, 20 e 27 de julho, às 15 horas, com cinco episódios da cultuada série na película original de 16 milímetros. Os 38 episódios de O Vigilante Rodoviário, criados e dirigidos por Ary Fernandes e exibidos pela TV Tupi em 1961, conquistaram o público mostrando as aventuras do inspetor Carlos (Carlos Miranda) que, a bordo de seu Simca Chambord 59 ou montado em sua motocicleta Harley Davidson, enfrentava todos os tipos de bandidos. O programa era exibido às quartas em São Paulo e às quintas no Rio de Janeiro, sempre às 20 horas, após o telejornal Repórter Esso. Na época, a cópia do filme era levada de uma emissora para a outra, devido às limitações tecnológicas. A trajetória do ator Carlos Miranda é uma aventura à parte. Tanto que ele até planeja escrever uma autobiografia. Assistente de produção da Tupi, ele foi descoberto por Ary num momento de desespero. Na ocasião, o diretor já havia feito testes com mais de 200 atores. Mas foi só colocar a farda em Carlos para descobrir que ele era perfeito para o papel do herói das rodovias brasileiras. Ele defendeu o papel com tanta paixão que, em 1965, abandonou a telinha para seguir carreira na Polícia Rodoviária Federal. Na época, o salário dos atores não era lá um grande atrativo, sem contar que estabilidade, na televisão, era um vocábulo inexistente. Na Via Anchieta, ele viveu muitas situações parecidas com as que encarava no seriado. O mais difícil, segundo Carlos, era convencer os motoristas de que ele era um policial de verdade e, portanto, passava multas de verdade. O ator-policial, que se aposentou em 1994 como tenente-coronel, mora em Águas da Prata, no interior do Estado. Mesmo depois que Carlos abandonou o papel de vigilante na televisão, os aficionados ainda tiveram uma chance de rever o seriado. No final da década de 60 e começo dos anos 70, O Vigilante Rodoviário foi exibido novamente por diversas emissoras, como a Excelsior, Cultura, Globo e Record. O primeiro episódio da retrospectiva do Sesc, A História do Lobo, pode emocionar os mais nostálgicos. Nele, Carlos e um garoto encontram um filhote de pastor alemão na beira da estrada e, com a ajuda de outros soldados, criam e adestram o animal. Mais tarde, o cachorro é batizado de Lobo e se torna companheiro inseparável de Carlos pelas rodovias brasileiras. Lobo virou uma versão brasileira de Lassie. O Sesc traz também um grande presente para os aficionados da série, que tem dezenas de fãs-clubes espalhados pelo País. Depois da exibição do episódio, vai haver uma discussão sobre o seriado, comandada pelo próprio inspetor Carlos. O cachorro Lobo, adorado por boa parte dos amantes do seriado estará presente, mas apenas na memória do público presente - e na de Carlos. O animal, que na vida real se chamava King e foi até mascote-propaganda das Cozinhas Fiel, morreu em 1971, aos 17 anos de idade. O Vigilante Rodoviário - Dias 13, 20 e 27 de julho às 15 horas no Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822; tel: 3340-2000. Grátis.

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