Lema: refaça suas obras

NOVA YORK

Tonica Chagas ESPECIAL PARA O ESTADO NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

Para Matisse, o artista deveria ser capaz de retrabalhar uma obra pelo menos uma vez, "para estar certo de não ter sido vítima da ousadia ou do destino". No caso dos quatro baixos-relevos Nu de Costas, esse refazer tomou 23 anos. O primeiro deles foi feito de argila, em 1908, e era mantido úmido para permitir a continuação do trabalho. Em 1909, quando precisou mudar seu estúdio, Matisse teve medo que a peça se esfacelasse e fez um molde dela em gesso. Repetiu o processo em cada estágio da escultura para trabalhar numa nova versão e manteve os moldes anteriores, mais tarde fundidos em bronze.

O Art Institute of Chicago produziu modelos tridimensionais digitalizados de cada uma das peças, os quais permitem ver melhor os detalhes delas do que em fotografias tradicionais. Depois da primeira versão, Matisse trabalhou em Nu de Costas entre 1911 e 1913, de 1913 a 1916, e levou 15 anos para retomá-la e concluí-la em sua quarta versão. Durante esse tempo ele simplificou a figura curvilínea da mulher de costas - tirando e acrescentando gesso, eliminando detalhes anatômicos e enfatizando elementos verticais - até transformá-la num monolito de três massas verticais lisas e harmoniosas.

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