Leitura Freudiana de Jeferson De

Luiz Carlos Merten / GRAMADO, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2010 | 00h00

Emoção. Jeferson De com os Kikitos por Bróder: Gramado tem sentido especial em sua carreira                

 

 

 

 

No debate após a exibição de Bróder e nas sucessivas entrevistas que deu sobre seu belo filme, o diretor Jeferson De nunca deixou de destacar duas coisas. Não apenas seu filme, mas também 5 Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos são reações a uma amostragem da periferia que tem em Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, a sua obra emblemática. Admirador do filme já clássico de Meirelles, Jeferson, vindo da periferia, como seus personagens, invoca Freud - Cidade de Deus e seu autor são o pai que ele e seus colegas de 5 Vezes Favela precisam superar - matar? enterrar? -, até como exercício de superação.

Mas Jeferson De também destaca a contribuição da comunidade do Capão Redondo, em São Paulo, onde Bróder foi realizado. Não apenas o diretor, mas o elenco em geral - Caio Blat, Cássia Kiss, Silvio Guindane, etc. -, foram unânimes em destacar que o tempo que ficaram no Capão Redondo, antes da rodagem, apenas sentindo o ambiente, foi decisivo para o entendimento do filme que queria fazer. Caio Blat agradeceu às tiazinhas do Capão Redondo, que o escolheram como se fosse da vizinhança e abriram suas histórias de família, sobre jovens como Macu, seu personagem, que buscam um caminho na periferia ou já foram vítimas da violência.

Os discursos emocionados de Caio Blat e Jeferson De tiveram o seu equivalente na fala do cineasta chileno German Becker, vencedor do Kikito de melhor filme, por Mi Vida con Carlos. Defendendo o documentário como forma de expressão, ele disse que um país sem eles é como uma família sem fotos. Lindo!

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