Leirner adorna imagem da Mona Lisa em mostra no Rio

Mona Lisa, Mona Crespa; Mona Rica, Mona Pobre. Siliconada, com os pés para fora da moldura, os seios de fora, amamentando um bebê. De cabelo curtinho, careca, com feições de estrelas de cinema ou japonesa. O Photoshop vem fazendo misérias com a Gioconda de Da Vinci, possivelmente o quadro mais conhecido do mundo.

AE, Agência Estado

11 de setembro de 2012 | 10h41

Nelson Leirner também já se apropriou da figura. Foi em 1999, por ocasião da Bienal de Veneza, na terra do mestre renascentista. Usando souvenirs comprados em Paris, ele pôs seu rosto em vagões de um trenzinho e nas bolinhas de fumaça que dele saíam. Em 2004, montaria para uma exposição estantes cheias de quinquilharias, entre elas, uma reprodução da tela.

O avanço da tecnologia fez com que ficasse cada vez mais comum a manipulação da imagem mais famosa do Museu do Louvre. Por e-mail ou no Facebook (do qual resolveu sair depois de um ano de acúmulo de pedidos de amizade e bem pouco conteúdo que lhe interessava), o artista se deparou inúmeras vezes com aquela mulher que permanecera imutável desde o século 16.

"Ela sempre foi um ícone banalizado, eu mesmo a tinha usado, mas de repente vi que havia um onda de manipulação da imagem digital. Banalizei ainda mais o que já era banal", diz Leirner, entre suas "Cem Monas", exposição que será aberta nesta quarta-feira na Galeria Silvia Cintra, no Rio.

Artesanalmente, imprimiu novos contornos ao rosto da Mona Lisa impressa em seda, acrescentando-lhe materiais comprados em lojas populares da região da Rua 25 de Março e na Liberdade: brincos, colares, máscaras, perucas, maquiagem, adereços de cabelo, toda sorte de bugiganga.

"Eu quis a tridimensionalidade. Não sou artesão, mas procurei voltar ao processo artesanal. Com o computador, está tudo muito fácil hoje. Existe uma crítica à tecnologia, que automatiza tudo e faz com que as coisas fiquem todas parecidas", propõe.

Leirner a colocou para pensar em cachorros quentes ou nela própria, com balõezinhos saindo de sua cabeça. Deu-lhe ar tropicalista, hippie, punk. Enquadradas em acrílico, as 100 Monas Lisas estão dispostas enfileiradas nas paredes da galeria como quadros de um filme. Por que 100? Porque foi a quantidade que coube na galeria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CEM MONAS DE NELSON

Galeria Silvia Cintra (Rua das Acácias 104, Gávea). Tel. (21) 2521-0426. 2ª a 6ª, das 10 h às 19 h; sáb., das 12 h às 18 h. Grátis. Até 20/10.

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