Leilão em Nova York alimenta fascínio pelos Kennedys

Nos dias 15, 16 e 17, a Sotheby´s de Nova York vai leiloar 695 lotes com móveis, obras de arte e decoração, livros, fotografias e outros objetos que vieram de cinco casas particulares da família de John Fitzgerald Kennedy, o mais querido presidente dos EUA, assassinado em 1963. Alguns são do período em que ela teve a Casa Branca como endereço residencial. Os lotes poderão ser vistos de perto pelo público a partir de hoje e até a noite da segunda, véspera do primeiro dia do leilão. Também podem ser conhecidos pelo website da Sotheby´s.Pode ser que ocorra algo parecido com abril de 1996, quando, dois anos depois da morte de Jacqueline Kennedy Onassis, 1.298 objetos do espólio dela foram à venda na Sotheby´s, no que ficou conhecido como "o leilão do século": 85 mil pessoas de 40 países compraram o catálogo e cerca de 30 mil foram à casa de leilões nos dias que precederam o evento, agüentando horas de fila para pelo menos dar uma espiada em coisas como os tacos de golfe do ex-presidente Kennedy ou o anel de diamantes que a ex-primeira-dama americana ganhou do segundo marido, o armador grego Aristóteles Onassis. Os tacos foram vendidos por US$ 772,5 mil e o anel foi arrematado por US$ 2,59 milhões. O total da venda bateu nos US$ 34,5 milhões. A Sotheby´s espera obter mais de US$ 1 milhão com a venda dos quase 700 lotes. Mas a cifra é um completo chute. "Chegamos a essa estimativa sem levar em conta o valor da proveniência", explica David Redden, vice-presidente da casa de leilões. "É muito difícil prever o que o mercado vai fazer e tentamos deixar isso por conta dos compradores." Para ter uma idéia do que eles podem fazer a fim de ficar com alguma coisa que lembre a dinastia dos Kennedys, uma simples fita métrica foi adquirida no leilão de 1996 por US$ 48.875. Há nove anos, estava entre as peças leiloadas, por exemplo, a escrivaninha sobre a qual Kennedy assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, em 1963. Com estimativa máxima de US$ 30 mil, ela foi vendida por US$ 1,43 milhão. Desta vez não há nada com tal valor histórico e são raras as peças pessoais muito valiosas, tais como jóias. Por si mesmo, a maioria poderia estar num bazar beneficente, pois há muita quinquilharia como cestas de palha, revistas, bibelôs, jogos de prato e talheres incompletos e iguaizinhos aos que se encontram à venda hoje em lojas de louça. Em seu testamento, Jacqueline dizia que os filhos deveriam ficar com o que quisessem dos seus pertences e vender o restante. Na introdução do catálogo, Caroline Kennedy escreveu que, depois da morte do irmão, John Kennedy Jr., em um acidente aéreo em 1999, viu-se com mais casas do que pudesse aproveitar. "Como fizemos antes, dei tudo o que tem significado histórico para a John F. Kennedy Library Foundation, onde estudiosos e o público terão acesso, e fiquei com as coisas que têm maior importância para mim e para meus filhos", disse a última sobrevivente da família do ex-presidente. Parte do que for obtido com a venda dos objetos e do catálogo será destinada à fundação, que fica em Boston, e a instituições de caridade.

Agencia Estado,

09 de fevereiro de 2005 | 13h23

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