Leilão de arte no Rio, com cautela e investimento paulista

O primeiro leilão da Bolsa de Artes de 2006 que acontece hoje à noite no Copacabana Palace dá a tônica do que deve ser o ano: os investidores do mercado de arte e os colecionadores preferem a cautela num período que se anuncia morno, devido à Copa do Mundo, quando o País pára para se ver em campo, e às eleições, cujo resultado é imprevisível no momento. Mas indica também mudanças no mercado. Nenhuma grande obra dos artistas modernistas está em oferta, mas há uma profusão de paisagens do Rio, os contemporâneos começam a ganhar espaço e 21 dos 150 lotes são esculturas, o que também é raro nos pregões. "Há um Bonadei, O Sol, de 1970 (oferecido entre R$ 130 mil e R$ 180 mil, o preço mais alto deste leilão) que é muito interessante e uma rara paisagem de Di Cavalcanti que não retrata o Brasil", comenta o diretor da Bolsa de Artes, Jones Bergamin. Saint-Louis-Paris data dos anos 30, quando o pintor vivia lá e seu preço está entre R$ 90 mil e R$ 130 mil. "Os artistas contemporâneos, como Tunga e Beatriz Milhazes, estão aparecendo nos leilões , assim como fotografias. Nesta área temos uma de Mário Cravo Neto (Retrato de Claro Morgam, oferecida entre R$ 5 mil e R$ 7 mil) e outra de Pierre Verger (Samba-Salvador- Brasil, entre R$ 3 mil e R$ 5 mil)." As esculturas aparecem em estilos e materiais e para bolsos variados. Tunga, Bruno Giorgi, Ione Saldanha, Franz Weissman, Amilcar de Castro Krajberg e até duas cerâmicas de Picasso estão neste pregão, a preços sedutores para o aprendiz de colecionador, a partir de R$ 4 mil. As gravuras e paisagens do Rio também voltam com força, especialmente as litografias de Rugendas e Debret, que formam um grupo à parte e mostram a paisagem e os hábitos cariocas do início do século 19. São litografias impressas por Engelman, em Paris, e o preço sugerido fica entre R$ 4 e R$ 7 mil. Uma tendência que se acentua é a mudança dos acervos particulares do Rio para São Paulo. Segundo Jones Bergamin, os antigos colecionadores cariocas ou faleceram ou decidiram simplificar seu cotidiano, enquanto os profissionais do mercado de capitais paulistas buscam novos investimentos. "E arte é sempre seguro", conta ele. Um indicativo disso é que a exposição do acervo oferecido, que aconteceu em São Paulo na primeira semana deste mês, foi concorridíssima. "Por isso, hoje 80% dos compradores não vão pessoalmente ao pregão. Vêm a obra na exposição e fazem os lances pelo telefone. Aí, podem estar em qualquer lugar."

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