Leilão apóia reforma de espaço cultural

O projeto de reforma do antigo prédio da Faculdade de Filosofia da USP, vizinho do Centro Universitário Maria Antônia (R. Maria Antônia, 294, tel.: 3255-5538), finalmente está prestes a se tornar realidade. Esta noite, às 21h, será dado um passo importante para viabilizar essa intervenção, com a realização de um atrativo leilão, com aproximadamente 50 obras assinadas por artistas do calibre de Arthur Luiz Piza, Carmela Gross, Iole de Freitas, Cildo Meireles ou Carlos Zílio, entre outros. A expectativa é arrecadar R$ 500 mil, o que permitiria dar início aos trabalhos e inaugurar o novo complexo cultural da Rua Maria Antônia (ao menos parcialmente) em meados do próximo ano. Além do apelo dos nomes dos doadores, o leilão desta noite reserva um outro atrativo aos potenciais compradores: os recibos das obras adquiridas poderão ser deduzidos do imposto de renda.A idéia de complexo cultural deriva do fato de o projeto do escritório UNA de arquitetura prever a integração dos dois prédios vizinhos, criando uma infraestrutura que inclui um teatro, um auditório para 100 lugares, amplos espaços expositivos e a ampliação da área dedicada aos cursos ? função importante para uma instituição vinculada à USP. Parte do novo prédio também está sendo cedido em comodato ao Instituto de Arte Contemporânea (IAC), gerido pela marchande Raquel Arnaud, e que deverá abrigar obras e material de pesquisa de três pilares da arte brasileira da segunda metade do século 20: Mira Schendel, Willys de Castro e Sérgio Camargo. O IAC, que tem um contrato de comodato com o Centro por um período inicial de 10 anos, ocupará o 3.º andar do novo prédio e a reserva técnica, que ficará no térreo.Trata-se de um projeto ambicioso de restauração, orçado em cerca de R$ 3,5 milhões (em valores de 2000). O custo decorre do estado de má conservação do prédio, das precauções que devem ser tomadas em função de seu tombamento e das inovações que estão sendo planejadas. Há algumas curiosidades que merecem ser destacadas, como por exemplo o fato de o prédio ter duas fachadas. A exterior, que será totalmente preservada e restaurada, foi construída na década de 40. Mas atrás dela está a fachada original , dos anos 20, muito mais interessante do ponto de vista arquitetônico e estético. O projeto inclui a construção de uma varanda que permitirá ver esse trabalho. Só falta a aprovação do alvará de construção para que os trabalhos comecem.Outra característica interessante do projeto é a criação de uma praça central entre os dois prédios ? o que atualmente é ocupado pelo Centro Maria Antônia, onde funcionava a escola de Filosofia, e o que será reformado, que sediava os cursos de Ciências Sociais ?, que servirá também de porta de acesso. As salas de exposição do atual Centro deverão ser transferidas para o novo prédio, onde há um espaço mais generoso. Desta forma será possível ampliar o importante papel que a instituição vem desempenhando, como um dos raros espaços dedicados à arte contemporânea na cidade de São Paulo. "Preenchemos um vazio existente na cidade", afirma o diretor do Centro Maria Antônia, Lorenzo Mammi, que garante que a instituição universitária pretende preservar seu caráter ágil, o que lhe possibilita atuar em várias frentes.Talvez essa agilidade e abertura seja um dos grandes responsáveis pelo grande apoio que o projeto obteve do circuito artístico. Até mesmo a impressão dos dos convites continuaram chegando novas contribuições (como as de Zilio, Thomas Farkas e outros); o leiloeiro Aloísio Cravo abriu mão de sua remuneração e o fotógrafo Rômulo Fialdini reproduziu todos os trabalhos gratuitamente. Trata-se de um engajamento raro de se ver nos dias de hoje. "Se ele (Mammì) pode melhorar aquilo que já conduz de maneira exemplar, então temos que contribuir. Já perdemos o Masp, o MAC, e a Bienal está saindo dos trilhos. Preferia que a secretaria de Cultura fizesse isso, mas parece que ela tem outros planos", afirmou Leda Catunda, uma das colaboradoras.Quem sabe, além de viabilizar uma parcela importante da verba necessária (é importante mencionar que outras instituições, como a pró-reitoria da USP e a empresa Gafisa, que já contribuiu com um patrocínio de R$ 1 milhão, também estão colaborando), esse leilão não desperte o interesse de outros segmentos da sociedade para esse projeto que, além de criar um novo espaço cultural em uma cidade tão carente de alternativas gratuitas e de boa qualidade, ainda resgata um local que foi cenário de momentos importantes da história recente do País.

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