Leila Diniz inspira peça e curta-metragem

Fã declarada de Leila Diniz, a atriz e produtora teatral Jahíra Rodrigues ficou encantada com o texto da peça Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes. Mais especificamente com a personagem Gilda, uma mulher que foi amiga de Leila e conta histórias da relação entre as duas. "A peça mostra cinco personagens em um bar, falando sobre suas vidas, mas sem dialogar entre si. Uma dessas personagens é a Gilda, que é a que mais me interessou." Assim, Gilda vai ganhar uma versão solo, que irá chamar-se Toda Mulher É meio Leila Diniz, estrelada pela própria Jahíra, dentro de um projeto que inclui a realização de um curta-metragem, dirigido por Sérgio Milagre e Flávia Pucci, que assina a direção da peça. Mas Jahíra faz questão de destacar que o curta não será apenas uma filmagem da peça: "Será feito com uma linguagem de cinema." Outra diferença é que o curta terá mais atores. Enquanto no teatro ficarão em cena apenas Gilda e um barman, no curta alguns personagens que eram apenas citados, como a mãe de Gilda, vão aparecer. Leila Diniz é um dos personagens mais controvertidos do cenário carioca. Era famosa nacionalmente por suas participações em novelas no final dos anos 60, com as quais a então iniciante Rede Globo começou a sentir o gosto do sucesso, arranhando a liderança da extinta Rede Tupi. Em 1966 protagonizou o filme Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira, sucesso de bilheteria. Mas, a exemplo do que ocorre hoje com Vera Fischer, eram suas atitudes fora das telas que contribuiam para torná-la mais polêmica. Duas delas entraram para a história. Em novembro de 1969 deu uma entrevista ao irreverente semanário carioca Pasquim, onde falava abertamente da carreira, atores, diretores e, principalmente, sobre sua movimentada vida sexual. Tudo fartamente temperado com palavrões. Em plena ditadura militar, a polêmica caiu como uma bomba e acabou gerando a lei de censura prévia a jornais e revistas, conhecida como decreto Leila Diniz. Em 1971, namorando o diretor Ruy Guerra, ela voltaria a escandalizar ao se deixar fotografar de biquíni grávida de oito meses. A cena inédita e audaciosa entraria para a história e causaria infinita polêmica em jornais, revistas e programas de TV, dando assunto até os dias de hoje. Pouco depois nasceu sua filha Janaína e Leila saiu de cena por alguns meses, para dedicar-se à menina. Quando um de seus últimos filmes, Mãos Vazias, foi concorrer no Festival de Cinema da Austrália, ela foi junto como representante, mas não resistiu às saudades da filha. Pegou um avião de volta para o Brasil antes do encerramento do Festival. Durante o vôo, a aeronave teve uma pane até hoje não esclarecida e explodiu no ar, matando todos. Nascia aí o mito Leila Diniz. A peça e o curta Toda Mulher É meio Leila Diniz estão orçados em R$ 340 mil e a atriz e produtora Jahíra Rodrigues já recebeu autorização da Secretaria do Audiovisual para captar recursos dentro da Lei Rouanet. As empresas que quiserem participar do projeto como patrocinadoras podem entrar em contato com Jahíra, pelo tel. 11- 5672-6540.

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