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Leia trechos do conto 'Malagueta, Perus e Bacanaço', que inspirou o saxofonista Thiago França

Conto de João Antônio foi lançado há 50 anos

27 de dezembro de 2013 | 17h15

"Por último, dando alarde ao desacato, manejava o taco com uma mão só e dava uma lambujem, um partido de quinze pontos na bola dois. Era escandaloso. Bacalau estava perdendo a linha que todo malandro tem. Não se faz aquilo na sinuca. Vá que se faça dissimulada, trapaça, até furtos de pontos no marcador. Certo, que é tudo na malandragem. Mas desrespeitar parceiro, não. A própria curriola se assanhou, desaprovando"

"Perus e Bacanaço entristeciam no banco lateral. Quebrados, quebradinhos. O menino Perus repetia cigarros fornecidos por Bacanaço e o mulato espiando mesas, abespinhado. Ali, de ordinário, pingava um ou outro joguinho bom. Mas onde há jogo bom, piranha vem morder. Naquele salão da Lapa faziam ponto malandros finos de sinuca, escorregados de outros lados da cidade. Então, safados infestavam o salão e aquela boca do inferno virava um poço de piranhas"

"Malagueta pediu cachaça, pão e pimenta malagueta, donde lhe chegara o apelido. O velho mascava e bebericava aos poucos, manso, medindo lances, atento; fazendo caretas que demoravam na cara. Quando ia às tacadas firmava apoio a Perus, salvava-lhe a bola, apenas defendendo a sua e encostando a do menino às tabelas. Um joguinho ladrão. Bacanaço sorria. Funcionavam direitinho, sem supetões, eram tacos de verdade, nascidos para trapacear"

"À esquina da Santa Efigênia toparam Carne Frita, valente muito sério, professor de habilidades. Havia na cidade e ainda noutras cidades, bons entendedores e tacos atilados com capacidade para fechar partidas, liquidando as bolas. Havia nomes e famas que corriam. Muitos, muitos. Praça, Paraná, Detefom, Estilingue, Lincoln, Mãozinha... Eram artistas do pano verde. Mas Frita... quem entendia de sinuca era ele"

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