Leia trechos de 'Onde a Lua Não Está', de Nathan Filer

O escritor britânico Nathan Filer, que é também enfermeiro com experiência em hospital psiquiátrico, estreia na literatura com Onde a Lua Não Está, romance recém-premiado com o Costa Book Awards. O livro é narrado por Matthew, um garoto de 19 anos, esquizofrênico, que tem de lidar com a culpa pela morte do irmão portador de síndrome de Down. Confira trechos:

O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 19h37

"Embora mue irmão fosse três anos mais velho, eu era sempre o responsável por tudo. Em geral eu me ressentia dele por isso."

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"Quando estou medicado, durmo 18 horas por dia. Durante esse tempo, fico muito mais interessado nos meus sonhos do que na realidade, porque eles consomem muito mais do meu tempo. Quando os remédios não estão funcionando direito - ou se decido não tomar -, passo a maior parte do tempo acordado. Mas aí meus sonhos dão um jeito de me seguir. É como se cada um de nós tivesse um muro que separa nossos sonhos da realidade, mas o meu tinha rachaduras."

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"Quando Simon estava vivo, ele podia ser meio que uma esponja, chupando a atenção. Ele não fazia de propósito nem nada, mas é do que os especiais precisam - eles exigem mais das coisas que estão à volta. Eu parecia passar despercebido."

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"O irmão dela [da avó] tem uma doença, uma doença com a forma e o som de uma serpente. Ela desliza pelos galhos de nossa árvore. Deve ter partido seu coração saber que eu era o próximo."

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"Ele recuava, agarrando o peito como fazia quando o pânico o dominava, quando nenhuma palavra conseguia acalmá-lo. Ele me implorava, Para! Para! Para! Suas mãos trêmulas agarravam a lanterna."

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