Leia trechos de 'O Mago', a biografia do escritor Paulo Coelho

Livro escrito por Fernando Morais chega às livraria de todo o País neste sábado

31 de maio de 2008 | 00h14

HOMOSSEXUALIDADE: Já estava de novo instalado na casa dos pais e a peça continuava em cartaz quando o diabo da homossexualidade decidiu tentá-lo mais uma vez. Agora a iniciativa não partiu dele, mas de um ator de cerca de trinta anos que também trabalhava na peça. Na verdade, os dois só haviam trocado algumas palavras e olhares, mas numa noite, após o espetáculo, o outro o abordou sem meias palavras: "Quer dormir comigo lá em casa?" Nervoso e surpreso com a cantada inesperada, Paulo respondeu o que lhe veio à boca: "Sim, quero, sim." Passaram a noite juntos. Apesar de se lembrar, muito tempo depois, que sentira certa abjeção ao se ver trocando carícias com um homem, fez sexo com ele, penetrando-o e se deixando penetrar.   EPIFANIA: Paulo parecia abalado, mas enxergava os campos de concentração como uma tragédia do passado, de um nazismo derrotado numa guerra que chegara ao fim antes mesmo que ele nascesse. No salão destinado às homenagens de familiares aos mortos, porém, sentiu que de novo entrava em parafuso, como acontecera em Praga (...) Segundo ele, a revelação de Dachau se materializou na forma de um facho de luz sob o qual um ser de aparência humana pareceu ter-lhe dito algo sobre a possibilidade de um reencontro dali a dois meses. Não seria uma voz humana, mas, como afirma Paulo, "uma comunicação de almas".   PACTO: Prestes a completar 25 anos, (Paulo) não passava de um joão-ninguém, sem a mais remota perspectiva de um dia tornar-se um escritor famoso. O beco parecia sem saída e a dor dessa vez era tão profunda que, em vez de implorar socorro à Virgem Maria ou ao indefectível São José, como costumava fazer, Paulo resolveu se entender com o Príncipe das Trevas. Se lhe desse poderes para realizar todos os seus sonhos, o Diabo receberia em troca a sua alma (...) Utilizando uma caneta de tinta vermelha ("cor do referido ente sobrenatural"), começou a redigir o pacto, sob a forma de uma carta dirigida ao Diabo (...) Mas fez questão de deixar expresso que aquele era um teste, não um contrato eterno. "Conservo o direito de voltar atrás", prosseguiu, sempre em letras vermelhas, "e quero acrescentar que só faço isto movido pelo desespero completo em que me encontro". O ajuste não durou nem uma hora. Fechou o caderno, saiu para fumar um cigarro e caminhar na praia e, ao voltar para casa, estava pálido como um defunto, aterrorizado com a loucura que fizera. Abriu de novo o caderno e escreveu em letras maiúsculas que ocupavam toda a página: PACTO CANCELADO. EU VENCI A TENTAÇÃO!   FUTURO: Trecho de uma carta de Paulo Coelho enviada a Fernando Morais, em 24 de agosto de 2007, de Barbazan-Débat, nos Pirineus: "Passa um avião no céu, o novo Airbus 380, que ainda não foi comercializado e está em fase de testes perto daqui. Eu o contemplo e fico pensando: quanto tempo demorará para que esta nova maravilha da tecnologia se torne obsoleta? Evidente que o pensamento seguinte é: quanto tempo demorará para os meus livros serem esquecidos? Melhor afastar isso da cabeça - porque eu não os escrevi pensando na eternidade.

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