Leia trechos de 'Das Paredes, Meu Amor, os Escravos nos Contemplam', de Marcelo Ferroni

Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura (2011) na categoria autor estreante por Método Prático da Guerrilha, o escritor e editor Marcelo Ferroni lança agora seu segundo romance - Das Paredes, Meu Amor, os Escravos nos Contemplam (Companhia das Letras) e experimenta o romance policial com trama de crime de quarto fechado. Leia trechos da obra:

O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2014 | 19h33

 "Sonhei com um cassino. As fichas corriam pelos dedos e o feltro era verde como placas de grama numa cova recente. Eu passava muito tempo contemplando as paredes chapiscadas na casa de mamãe, lendo velhos livros de Ian Fleming na cadeira de balanço que fora do avô, para frente e para trás, o rangido áspero das molas ocupando meu pensamento. Eu abria cada vez menos os jornais atrás de resenhas do livro, havia sido tomado por uma impotência raivosa que entupia a garganta (...)."

"Percorri primeiro a cozinha, onde uma empregada mais velha, com cara de roador, me observou inquisitiva enquanto eu bebia um copo d'água. A outra, a mortiça, me fitava com ironia. Minha cara devia dizer que fizera algo de errado, eu sabia que em pouco tempo iriam descobrir a marca no vidro. Tive a sensação de que a partir dali as coisas descambariam vertiginosamente."

"Foi então que ouvimos o segundo espocar. Inequívoco desta vez, contra o próprio murmúrio do Estige.

Dona Yolanda apertou a mão entre os seios caídos, perguntou o que era aquilo, aquele barulho. Jorge comentou que podia ser um fusível estourado, a luz tentando voltar, Ana saltou da cadeira, apertou a mãe, pediu que se acalmasse, não era nada, logo saberiam o que era, mas seus olhos passavam por nós tão desvairados que o personal trainer também se levantou com brusquidão e a cadeira desabou atrás de si, era o sinal que esperávamos para sair os quatro ao mesmo tempo, deixando estupidamente as velas para trás, e, num momento que que hoje eu diria cômico, não conseguimos passar pela porta. (...)

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