Leia trecho do livro 'Battle Royale', de Koushun Takami

Obra, que fala sobre violência entre estudantes, está sendo lançada pela Editora Globo e tem tradução de Jefferson José Teixeira.

31 de março de 2014 | 17h15

"No lado sul da montanha norte, um rapaz sentado num canto de uma inclinação coberta de densa vegetação se olhava num pequeno espelho que segurava na mão esquerda, arrumando com cuidado, com o pente na mão direita, seu penteado volumoso na frente. Desde o início do jogo, ele deve ter sido o único estudante da turma B do nono ano, incluindo as garotas, que teve tempo para cuidar dos cabelos. Mas isso era muito natural. Um rosto rude não combinava com ele, que era do tipo que zelava demais por sua aparência. Na turma B praticamente ninguém sabia o motivo exato, mas entre os amigos ele é chamado... Ou melhor, levando em conta o que estava acontecendo, ele era chamado, no passado, de Zuki. De qualquer forma, ele era homossexual.

Sobre sua localização, ele estava, em distância horizontal, cerca de duzentos metros bem a oeste de onde Shinji Mimura e Yutaka Seto estavam escondidos. Aproximadamente seiscentos metros a noroeste da clínica onde o trio de Shuya abrigava-se. Em outras palavras, sua posição era bem acima da casa de fazenda onde Shuya Nanahara testemunhou Kaori Minami ser morta por Hirono Shimizu. Se olhasse para o alto ele teria tido uma visão clara do mirante onde os corpos de Yumiko Kusaka e Yukiko Kitano ainda jaziam, banhados pela luz do sol poente.

Esse estudante arrumando os cabelos viu os corpos de Yumiko Kusaka e Yukiko Kitano, bem como o de Kaori Minami. De fato, ele viu bem mais. Kaori Minami era o sétimo cadáver com o qual se deparou.

Ai, que nojo. Tenho outra folha no cabelo! É só eu deitar que elas grudam nele.

Movendo o dedo mindinho da mão direita, que segurava o pente, retirou a folha presa nos cabelos. Depois, olhou para os arbustos a quase vinte metros para além do seu rosto refletido no espelho.

Ka-zu-o-zi-nho. Está dormindo?

Os lábios grossos do rapaz de contorceram num sorriso.

Você está atento? Bem, nem mesmo um sujeito fantástico como você poderia imaginar que, depois de falhar ao tentar me matar, estaria sendo vigiado por mim."

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