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Leia trecho de ‘Sanshiro’, de Natsume Soseki

Romance do escritor japonês foi escrito há mais de um século

O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2014 | 20h10

“A mulher passou por ele. Sanshiro, ainda parado, observou atentamente a silhueta que se distanciava. Ela chegou à bifurcação. No instante em que ia dobrar, voltou-se ainda mais uma vez. Sanshiro ficou desconcertado por sentir as faces lhe corarem. A mulher sorriu e fez um gesto com a cabeça como que perguntando se era ali mesmo que devia dobrar. Sanshiro fez que sim. A silhueta da mulher seguiu para a direita, escondendo-se atrás da parede branca.

Sanshiro deixou, absorto, a entrada do prédio. Deu uma dúzia de passos ainda imaginando se ela teria lhe perguntado o número do quarto porque o confundira com um estudante da Faculdade de Medicina, quando se deu conta de que, no momento em que a mulher lhe indagara pelo quarto 15, poderia tê-la acompanhado, mostrando-lhe ele mesmo o caminho. Lamentos a própria atitude.

Agora não lhe vinha a coragem de voltar lá. Julgando não ter mais o que fazer, caminhou mais um pouco e dessa vez parou por completo. Na cabeça de Sanshiro refletiu-se a cor laço que a mulher usava. Tanto a cor quanto o material eram indênticos ao do laço que Nonomiya comprara na loja Kaneyasu, uma ideia que lhe tornou as pernas pesadas. Passando pela biblioteca como que a rastejar, dirigia-se ao portão principal quando Yojiro chamou-o de algum lugar."

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