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Leia trecho de 'A República das Abelhas'

Neto de Carlos Lacerda, Rodrigo Lacerda une biografia e romance em 'A República das Abelhas'. Leia trecho a seguir:

29 de novembro de 2013 | 20h34

"Até que demorei a me candidatar a um cargo eletivo, por achar impossível conciliar política e jornalismo. Em compensação, quando tive meu próprio jornal, inseri-me na mais pura tradição brasileira da imprensa oposicionista, que vinha dos tempos do Império: bater firme, ser incisivo e arrebatado. Tentava apenas, quando batia, conferir alguma base documental aos meus impropérios. E continuei a atuar desse jeito quando entrei para a política. Curiosamente, ainda assim a Tribuna da Imprensa nunca foi propiciamente um jornal de partido, até porque o meu partido não tinha um discurso unificado, então não dava para o jornal se pôr a serviço de algo que não existia. Ele acabava verbalizando as minhas opiniões e, com sorte, o discurso de um pedaço do partido. Só que eu não noticiava apenas as divergências do partido com o governo, o adversário externo, mas com os outros pedaços dele mesmo. Ou seja, tornava públicas as crises internas, contribuindo muitas vezes, querendo ou não, para aumentá-las. Nesse sentido, ou eu fragilizava meu partido, ou traía meu jornal. Então, realmente, 'conciliar' as duas atividades era difícil. Mas elas nasciam misturadas para mim, e conviviam, em permanente atrito."

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